Resenha: Mauricio: a história que não está no gibi - Mauricio de Sousa

21/02/2017

Mauricio - A História Que Não Está No Gibi
Mauricio de Sousa
Ano: 2017 / Páginas: 336
Idioma: português 
Editora: Primeira Pessoa

“Tudo que está na minha biografia é verdade, aconteceu mesmo, ou eu acho que aconteceu.” – Mauricio de Sousa.
“Ideias mudam o mundo – poucos chavões são tão verdadeiros e inspiradores. Não mudei o mundo nenhuma vez. Mas, à minha maneira, acho que o melhorei um pouquinho ao gerar bons momentos, diversão e entretenimento para milhões de brasileirinhos. Raros são os autores, no Brasil e no exterior, que podem dizer que foram lidos com o mesmo prazer por avós, filhos e netos. Ou que carregam na bagagem a honra e o privilégio de saber que suas criações, com gibis ou livrinhos agindo como cartilhas informais, ensinaram pelo menos três ou quatro gerações a ler – disparado, meu maior orgulho. Em última instância, sou um sobrevivente, um homem que começou do nada, realizou seu sonho e não quer desistir dele de jeito nenhum. Enquanto eu estiver por aqui, saiba que foi você quem sempre alimentou meus sonhos. Depois que eu partir, não se esqueça de que ideias, e também sonhos improváveis, é que movem o mundo. De um jeito ou de outro, sempre estarei com vocês.” Mauricio

Ciao!

Como uma criança que aprendeu a ler de forma precoce e que adorava gibis, a biografia de Mauricio de Sousa é mais que uma leitura óbvia, é obrigatória. E já que hoje é dia dos pais, nada melhor que o pai de dez filhos, 300 personagens e que ajudou muita criança a dar asas à imaginação por aí ser o tema do Literatura de Mulherzinha.

Mauricio: a história que não está no gibi – Primeira Pessoa
(2017)

O livro é narrado em primeira pessoa (não é à toa a publicação dele neste selo da Sextante), a partir do depoimento de Mauricio de Souza ao jornalista Luís Colombini. Ele rememora quase 60 anos de carreira e 87 de vida. E podemos ler a versão do protagonista em uma jornada de sonhos, teimosia, determinação, empreendedorismo, com mais acertos que erros para se estabelecer como um criador brasileiro, reconhecido no exterior e que fez e faz parte da infância de muitas gerações.

Gostei muito de saber porque no Brasil as revistinhas em quadrinho são também chamadas de gibi. De ver como o Jotalhão foi parar na lata do extrato de tomate. De entender técnica e literalmente o significado do termo “clichê”. Deu para entender de onde são as referências em que ele se baseou para criar os personagens e a origem do bairro do Limoeiro foi incrível.


Gostei de me lembrar do lançamento da revistinha da Magali e do batismo do Mingau (eu tenho certeza de que tinha esta revistinha!) e dos gibizinhos (eu também tinha). Achei que ele falou pouco sobre dois temas que me interessavam: os personagens “inclusivos” – o cadeirante Luca, a deficiente visual Dorinha e a Tati, que tem Síndrome de Down – queria que o capítulo sobre a Turma da Mônica Jovem e o Chico Bento Moço fosse maior. É que eu coleciono as duas (já postei fotos no IG), no momento, como estou às voltas com mudança e com obra, parei de comprar, mas vou retomar tão logo esteja resolvido. 
Quando eu era menino, diziam que eu era teimoso. Aí cresci e me chamaram de teimoso e também de cabeça-dura, principalmente quando eu insistia que minha turminha um dia cairia no gosto das crianças. Muitas pessoas riam, gargalhavam de descrédito. Só quando tudo deu certo é que mudaram o tom e passaram a dizer que eu não era teimoso, e sim determinado e perseverante. A crítica virou elogio sem que eu nunca tenha mudado meu comportamento”.

A gente entende que ele foi o que os americanos chamam de “self-made man” (o homem que se fez sozinho). Um garoto que não conseguiu concluir o ensino fundamental insistiu em um sonho impossível na época (décadas de 1940 e 1950): se tornar um desenhista como os americanos que o inspiraram. Era “impossível” porque graças a uma campanha dos formadores de opinião da época (educadores, políticos e afins) as histórias em quadrinhos e gibis eram considerados uma péssima influência na formação das crianças. E o mercado priorizava as histórias importadas.

Dando a cara para bater, ele conseguiu. Contra tudo e contra todos. Passando dificuldades com a família. Várias vezes ele menciona a crítica de que os personagens da turminha são alienados e dá os motivos desta decisão. Fez bons e maus negócios (a dívida de um deles ainda está sendo paga até hoje) – e em ambas as situações explicou o que deu certo e o que deu errado. Aprendeu a encontrar oportunidades pouco pensadas por empresários brasileiros até então: franquias? Licenciamentos? Desdobramento dos produtos (viu a peça, leia o livro, ouça o disco, compre o brinquedo)? Exatamente. O que atualmente parece óbvio, nem sempre foi no mercado brasileiro. Basicamente Maurício e família (porque ele levou todo mundo para trabalhar com ele) descobriram por conta própria a frase que se tornou mote do marketing e do desenho animado Robôs: “encontrou uma necessidade? Satisfaça”.


Como disse em um post jurássico, os quadrinhos – seja no jornal que eu lia na casa da minha tia ou nas revistinhas – sempre fizeram parte da minha vida. Eu queria muito saber desenhar para criar personagens, mas meu talento não era esse. Meu xodó era o Pato Donald. Na turma da Mônica, as favoritas da minha irmã, embora eu fosse alta, tinha dentes tortos e um gênio difícil que aparecia rapidinho quando provocado. Não é à toa que a mãe nunca me deu um Sansão, só uma boneca da Mônica, porque com certeza seria arremessado na moleira de quem me tirasse do sério. E eu gostava muito das histórias do Papa-Capim, porque achava o personagem bonito. Aí veio a versão jovem dos personagens e eu virei tiete do Do Contra (sou parte da minoria que não reclamou quando ele começou a namorar a Mônica) e adoro a Magali e o Quinzinho. Mas minha perdição é o Chico Bento Moço. Não tinha ideia do quanto gostava do personagem até ler as aventuras e desventuras dele na universidade.


E a exposição dos Quadrões – onde ele colocou a turminha em obras de arte consagradas – veio a Juiz de Fora quando eu já trabalhava. Algum dia tiver chance de ver, aproveitem. É muito boa pela chance que permite de apresentar arte para os pequenos. Pude conferir de perto a versão sensorial do quadro Monica Lisa feita pela Escola Municipal Cosette de Alencar, em Juiz de Fora. Aproveitando a vinda dele para a abertura, eu produzi um programa especial de entrevista com o Mauricio de Sousa. Como houve uns contratempos, não foi na emissora, como previsto. Teve que ser no Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM), local da exposição. Fiquei com vergonha de falar com ele e pedir pra tirar uma foto, mas graças à ajuda do assessor saí de lá com a minha revistinha TMJ do primeiro beijo da Mônica e do Cebolinha devidamente autografada. Também fiquei com vergonha de levar a Mônica que me acompanha desde que eu tinha uns 10 anos para o evento (que só não aparece neste post porque está, como a maior parte das minhas coisas, empacotada até o fim da mudança-obra). E quando cheguei na abertura da exposição, o que havia lá? Uma moça com uma boneca igual a que eu tenho. Eu a parabenizei mentalmente e lamentei não ter feito o mesmo.

Assim que a vida voltar ao trilho, já tenho algumas metas de mimos pessoais envolvendo as criações do Mauricio de Sousa: organizar e retomar as coleções da TMJ e do Chico Bento Moço; comprar a versão turma da Mônica para O Pequeno Príncipe e me dar de presente um boneco do Chico Bento da linha “Bonitinho” por motivo de “é lindo demais da conta”.


Mas o que mais gostei de saber foi que a vencedora do concurso para batizar o coelho da Mônica como Sansão foi uma garota chamada Roberta Carpi. Espero que este texto chegue até você, porque é muito legal saber que uma Roberta deu esta contribuição tão importante! Muito obrigada, xará! 

Bacci

Beta Oliveira

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