Resenha: Um menino em um milhão – Monica Wood

12/01/2017

Um Menino em Um Milhão
Monica Wood
Ano: 2017 / Páginas: 352
Idioma: português 
Editora: Arqueiro
Quinn Porter é um guitarrista de meia-idade que nunca conseguiu deslanchar na carreira. Enquanto aguardava sua grande chance na música, foi um marido e pai ausente, e jamais conseguiu estabelecer um vínculo afetivo com o filho, uma criança obcecada pelo Livro dos Recordes e algumas peculiares coleções.
Quando o menino morre inesperadamente, alguém precisa substituí-lo em sua tarefa de escoteiro: as visitas semanais à astuta Ona Vitkus, uma centenária imigrante lituana.
Quinn assume então o compromisso do filho durante os sete sábados seguintes e tenta ajudar Ona a obter o recorde de Motorista Habilitada Mais Velha. Através do convívio com a idosa, ele descobre aos poucos o filho que nunca conheceu, um menino generoso, sempre disposto a escutar e transformar a vida da sua inusitada amiga. Juntos, os dois encontrarão na amizade uma nova razão para viver.
Um Menino em Um Milhão é um livro sensível, poético e bem-humorado, formado por corações partidos e aparentemente sem cura, mas unidos por um elo de impressionante devoção pessoal.
Ciao!

- É um livro sobre ausência e presença e a contradição que ambos podem causar. Há presenças ausentes e ausências que declaram presenças. Temos a lembrança constante do menino morto, cujo nome não é citado em nenhum momento do livro, que é o elo entre todos os personagens citados. O pai, Quinn, músico profissional que não havia “estourado” não sabia se relacionar, não se entendia e não conseguia realmente conhecer aquele garoto tão único em suas perfeições e atitudes. A mãe, Belle, bibliotecária, está transtornada pela dor de ter perdido de forma tão abrupta o único filho. Ona, a idosa imigrante lituana, acabou se afeiçoando ao menino que alimentava os passarinhos, fazia as tarefas com tanta perfeição e gostava de ouvir as histórias da vida dela, sob o pretexto de conseguir algum recorde para que ela entrasse entre os supercentenários que constam no Guiness.

“O menino agora saltitava pela cozinha, ainda segurando a própria cabeça, mal se contendo de tanta alegria.
- Pensa bem, Srta. Vitkus! Você… pode… entrar… pro… Guiness!
- Eu vou ganhar algum prêmio em dinheiro?
- Um, você ganha um certificado – disse ele, quase cantarolando – Dois, você ganha respeito. Três, você ganha imortalidade!
- Bem, suponho que, para isso, não haja um preço” (p.40-41)

- É um livro sobre vida e morte. A perda do menino colocou os familiares para buscar razões, culpados ou por quê isso ocorreu justo com eles. Ele permitiu à Ona revisitar a própria longa vida, recuperar memórias esquecidas, revisar algumas felicidades, arrependimentos e a constante ideia de que vai deixar de existir. E o Guiness se torna uma motivação para quem estava ali numa rotina sem novidades. Ao recontar a própria vida para o menino, ela pode perdoar a si mesma por sentir a insatisfação com decisões que tomou em nome de uma necessidade de pertencimento nem sempre plenamente alcançada.

- O que nos leva a outro ponto do livro: se sentir suficiente para alguém. Belle queria que ela e o menino fossem motivo bastante para Quinn abandonar a vida itinerante e ficar com a família. Quinn achava que não era bom para esposa e filho e corria atrás do sonho de se firmar como músico – que sempre foi mais acessível para outros. Pelas lembranças dos personagens, o menino manifestou o receio de que a falta de elementos em comum dele com o pai tenha causado a separação dos pais.

- Enfim, não foi à toa que é tão elogiado. Ao costurar a jornada  destes personagens usando estes sentimentos conflitantes como fios, a autora criou uma trama singela, tocante, emocionante, real, que conversa com quem lê, independente da idade. E sem dar spoilers, o capítulo final, na minha opinião, é genial.

- Ah, escrevi tanto sobre as minhas reações e impressões sobre o livro que quase não dei detalhes do que ocorre na história. Creio que algumas coisas não devem ser antecipadas – e este livro é uma delas. Sabia o mínimo sobre ele, por isso, fiz várias descobertas e o vivenciei no ritmo que ele ditou. Como vocês perceberam, foi uma leitura que me emocionou. Pode fazer o mesmo por você – e vale a pena dar a chance!

Bacci!!!


Beta Oliveira

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