Resenha: A minha vida não tão perfeita – Sophie Kinsella

18/01/2017

Minha Vida (Não Tão) Perfeita
Sophie Kinsella
Ano: 2017 / Páginas: 406
Idioma: português 
Editora: Record

Felipe está esperando por esse momento desde que as aulas começaram: o início das férias de julho. Finalmente ele vai poder passar alguns dias longe da escola e dos colegas que o maltratam. Os planos envolvem se afundar nos episódios atrasados de suas séries favoritas, colocar a leitura em dia e aprender com tutoriais no YouTube coisas novas que ele nunca vai colocar em prática.
Mas as coisas fogem um pouco do controle quando a mãe de Felipe informa que concordou em hospedar Caio, o vizinho do 57, por longos quinze dias, enquanto os pais dele estão viajando. Felipe entra em desespero porque a) Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e existe uma grande possibilidade dessa paixão não ter passado até hoje) e b) Felipe coleciona uma lista infinita de inseguranças e não tem a menor ideia de como interagir com o vizinho.
Os dias que prometiam paz, tranquilidade e maratonas épicas de Netflix acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, que obrigarão Felipe a mergulhar em todas as questões mal resolvidas que ele tem consigo mesmo.
Ciao!

Twenty-five years and my life is still
I'm trying to get up that great big hill of hope
For a destination

- O mundo atual nos pressiona a buscar um ideal de vida perfeita. Lamentalvemente, na maioria das vezes, nunca é a que nós temos, mas sempre a de outra pessoa. Aquela coisa de que a grama do vizinho é sempre mais verde foi potencializado com as redes sociais. No entanto, a gente nunca sabe o que há realmente por trás das fotos e vídeos do Instagram. E muitas pessoas se apegam a isso de tal forma que precisam fingir que vivem o que não possuem ou não fazem. Isso gera insatisfação e em algum momento a frustração vai virar um problemão.
Mas veja bem: não sou invejosa. Não exatamente. Não quero ser a Demeter. Não quero as coisas dela. Sei lá, tenho só 26 anos. O que eu faria com um SUV da Volvo? 
- Katie queria se afirmar, mostrar potencial, se destacar na multidão... mas nem era percebida no escritório da empresa que trabalhava. Era a garota que copilava dados de pesquisas. Uau. Nada glamoroso, brilhante e vencedor. Ela queria o estilo de vida da chefe, Demeter, aquela vida cintilante de família bonita, filhos bonitos, casa perfeita, vida social esfuziante, admirada, invejada.
Mas, quando olha para ela, sinto um comichão de... alguma coisa, e penso: será que poderia ser comigo? Teria como ser comigo? Quando tiver condições, eu poderia ter a vida da Demeter? Não são só as coisas materiais, falo da confiança também. Do estilo. Da sofisticação. Dos contatos dela. Mesmo que demorasse vinte anos, eu não me importaria - na verdade, ficaria em êxtase! Se você me dissesse Olha só, se você se esforçar bastante, daqui a vinte anos terá essa vida, eu iria com tudo para chegar a esse ponto.
- Quando tudo desmorona, Katie é forçada a se reconectar com ela mesma, com a vida, com a família e com os sonhos que construiu e não realizou. É neste momento que o livro fica muito bom. Porque após das decepções, ela não percebe que está se reiventando e mudando a visão de mundo. Katie viu os sonhos de grandeza implodirem e precisou fazer o melhor possível com a realidade. E foi quando ela deixou de soar como uma chata invejosa e se tornou gente como a gente: com sonhos que gostaria de realizar, com desafios cotidianos a serem superados. Simples assim.

- Neste meio tempo, além de Demeter, vamos conhecer os colegas de trabalho e os outros que dividem a casa com a protagonista em Londres. E vocês ouviram falar em glamping? Confesso que não tinha a menor ideia do que era isso (digamos que estou lidando com uma série de “eita!” atrás de “eita!” e não está dando muito tempo de acompanhar tendências) e gostei de entender o conceito do início ao projeto final. 

- Fique bem atento porque tdo mundo tem alguma importância no amadurecimento e no desabrochar de Katie. É assim que ela vai entender que a graça da vida não está em fingir uma perfeição que não existe, que soa inalcançável e só serve para oprimir e frustrar. Está na gente encontrar a beleza nas imperfeições do dia a dia.

Bacci!
Beta Oliveira

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Oi gente, o blog ganhou um layout novo e como eu migrei do wordpress para o blogger, os posts antigos estão muito bagunçados. Toda mudança gera uma bagunça e não seria diferente por aqui.
Irei arrumando os posts sempre que eu tiver um tempinho, conto com sua compreensão.

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