Resenha: Cadu e Mari - A.C. Meyer

06/01/2017

Cadu e Mari
A.C. Meyer
Ano: 2017 / Páginas: 280
Idioma: português 
Editora: Galera Record
Mariana trabalha em uma badalada revista de moda. Tem um bom salário, é muito competente... E tem uma queda pelo chefe, daquelas bem poderosas. Eles vivem em mundos completamente diferentes, e Mariana sabe que nunca acontecerá nada entre os dois. Até que Carlos Eduardo repara que sua secretária é muito, muito bonita. O amor entre os dois é arrebatador, e Cadu e Mari sentem que nasceram um para o outro. Mas as coisas logo começam a desandar. Talvez Cadu ainda não esteja preparado para confiar em uma pessoa que teve uma vida tão diferente da sua; talvez Mari ainda não se sinta segura em dividir sua realidade com o chefe. Para viver esse amor, os dois precisarão enfrentar preconceitos e vencer intrigas. Será que estão prontos?


Ciao!

- Antes de mais nada: sim, é clichê! Afinal de contas, todas as histórias de amor já foram escritas, não dizem isso? Mas ele combina seus elementos de forma deliciosa e agradável, criando um livro daqueles que você lê em um dia friozinho, com um chocolate quente e, se fosse mangá, terminaria soterrada por coraçõezinhos vibrantes e alegres. Eu já conhecia a escrita da autora porque li toda a série After Dark, que foi descoberta por #MadreHooligan nas visitas às livrarias. Por meio dos altos e baixos dos personagens, a trama celebra o amor entre duas pessoas normais, com defeitos, virtudes, inseguranças e dificuldades.

- Os dois personagens transitam entre as personas “públicas” (Carlos Eduardo Moraes e Mariana Costa) e “privada” (Cadu e Mari). As encrencas ocorrem quando as duas esferas se misturam – até porque era muito difícil dissociar e agir como se cada coisa ficasse em uma caixinha a ser acionada conforme a necessidade. Um exemplo pessoal: na época em que estava no Mestrado, meu “eu acadêmico” engoliu todos os outros a tal ponto de parentes e amigos reclamarem que não me viam mais porque quando eu não estava no trabalho, estava na Faculdade ou estudando em casa. Pense em todos os papeis sociais que você representa e como parece missão impossível equilibrar tudo sem colocar a sanidade em risco.

- Carlos Eduardo nunca havia percebido Mariana além da assistente supercompetente. Até o dia em que este olhar mudou. Mari nunca escondeu de Lalá, a melhor amiga, que achava o chefe lindo e maravilhoso, mas considerava suicídio profissional sair do plano das ideias para a prática. E ela gostava do emprego, apesar dos pesares – leiam-se: algumas criaturas que pensavam que para trabalhar em uma revista de moda você precisa ser uma genérica da Gisele Bündchen e não uma pessoa com corpo e medidas normais (ou seja, a maior parte da humanidade porque Gisele, amor, só tem uma. A gêmea dela tem beleza própria) e algumas criaturas que se acham superiores – por alguma razão idiota que só foi comunicada a eles – que todos aqueles a quem não consideram dignos da mesma relevância. Sim, sem comentários, né?

- Cadu não é príncipe da Disney porque erra (gente como a gente), mas provavelmente você vai querer um Cadu na sua vida, no profissional, no pessoal, na rua, na chuva, na fazenda, na casinha de sapê. Eu poderia enumerar alegre e d-e-t-a-l-h-a-d-a-m-e-n-t-e porque seria uma excelente ideia pleitear um Cadu para Santo Antônio, só que seria uma overdose de spoilers. Então até vocês lerem o livro, confiem em mim quando digo: muitas adoraríamos – algumas até desesperadamente – amar e ser amada por um Cadu. 
“Acompanho a banda, mas uma sensação estranha se apodera de mim. É uma vibração, como se algo estivesse me chamando, mas não sei o que é. Olho ao redor e não vejo nada, mas sinto um frio na barriga e um arrepio na nuca. Se eu tivesse bebido alguma coisa, poderia dizer que a bebida estava batizada, mas não havíamos consumido nada. E então meu olhar cruza com um par de olhos castanhos sedutores. Vejo uma vozinha incrível aparecer, deixando minhas pernas bambas.O que a gente faz quando vai para a balada e encontra o chefe gato encarando como se você fosse um grande sorvete?” 
- E de certa forma, todas somos Mari. Queremos nos estabelecer no trabalho. Queremos ser respeitadas como profissionais. Queremos nos divertir com as amigas. Tivemos a cota de relacionamentos que não deram certo. Mari deveria ter recebido o conselho que recebi no meu primeiro emprego, justamente quando alguém quis se impor porque – oh céus – eu sou mulher: “Se você não gritar de volta, vão se achar no direito de gritar contigo de graça”. (Não deveriam ter dito isso pra uma serumaninha de Escorpião porque óbvio que eu gritei de volta.) E o tempo me ensinou a saber que hora compensa esbravejar e que hora é melhor simplesmente observar a irrelevância de ver uma criatura ofensora/ofensiva que quer fazer os outros infelizes para se sentir bem. E quando não encontra alvo, é obrigada a engolir a própria insignificância.

- Para completar, um encontro não combinado no informal e descontraído ambiente de um bar e pronto: a atração ganhou força. Entre idas e vindas, recuos, dúvidas, os dois se aproximam, se afastam, mas o que antes não havia, agora está ali, pairando e complicando. E quando tudo parece que vai acertar, umPROBLEMÃO pode colocar tudo a perder – tudo mesmo, carreira e profissão. E nós acompanhamos toda a jornada pelo ponto de vista dos dois protagonistas, em capítulos alternados. Geralmente gosto quando temos esta opção de entender o que motiva as atitudes – boas ou ruins – de cada um.

- Temos romance (muito romance, daqueles que você fica entre o “Ahhhhhh”, “Awwwwwww” e o “QUERO! ME DÁ! CADÊ?!”), angústia, amizade à toda prova, traições, desconfianças. Basicamente coisas que podem ocorrer na vida de todo mundo (talvez de forma mais realista), inclusive na sua. Uma relação que ainda não se firmou sofrendo um baque. Trabalhar com pessoas cretinas. Sofrer uma rasteira no trabalho. Pagar por algo que não fez. Aturar assédio sexual e moral. Nossos lindos protagonistas também cometem um erro básico que amplia a confusão da relação deles – não vou dizer qual é, mas se você já estiver no mercado de trabalho, vai perceber rapidinho o potencial campo minado que os dois montam em torno de si mesmos sem perceber.

- E tudo isso nas paisagens do Rio de Janeiro. Sempre tão familiar para mim (aliás, faz tempo que não visito a cidade. Espero poder voltar lá), porque estive em alguns dos cenários citados. No entanto, temos outros cenários e inclusive uma menção à Juiz de Fora! Além disso, outras referências que tornaram a minha experiência mais próxima e agradável foram à Audrey Hepburn (pausa para as reverências a quem era bonita e elegante no melhor sentido da palavra) e a O Pequeno Príncipe (ah, vocês já sabem que sou um caso perdido com este livro, né?). Acho que faltaram apenas ruivos, Tom HiddlestonHarry Potter e músicas italianas para eu entrar no modo “para tudo que este livro é pra mim!!!”... Porque até o mais difícil tem: uma personagem chamada Roberta. A probabilidade é mínima, gente! Tanto que todos que encontrei – protagonista, coadjuvantes e menções aleatórias – estão nesta tag do blog.

- Não vou dar outros detalhes, mas vocês vão descobrir de cara que é um livro muito musical, com direito a trilha no Spotify (sinceramente, só senti falta do Tiago Iorc, mas foi porque ele estava tocando em loop no meu computador/celular até a trilha sonora de A Bela e a Fera se oferecer gentilmente para revezar com ele). 

- A capa é delicada e romântica, eu fiquei apaixonada por ela desde que vi a imagem e mais ainda quando vi de perto (e fiz todo aquele ritual que vocês podem imaginar quando chega um livro que você quer muito: incluindo a cara de assustado do entregador – fui sutil como um elefante bravo numa loja de cristais pra pegar a encomenda –, a briga pra abrir o pacote e o chilique necessário de sempre quando, finalmente, estava com o livro nas minhas mãos). E traz bem o clima da história: uma história de amor, sim, senhor (a), que nos deixa tão encantados que fica difícil fechar o livro.

- Ou no meu singelo caso, passar para #MadreHooligan. Ou vocês acham que aquele diálogo que abriu o texto foi casual e aleatório? Ela quer ler o livro! E está meio indignada por eu ter demorado para desapegar, mesmo com a leitura seguinte já em andamento. Uai, gente, não tenho culpa se deu vontade de ler novamente aquela cena. Ou aquela outra. Ah, e aquele detalhe fundamental na virada da trama. E também o final. Ah, o final!!! Poxa, o mundo anda tão difícil, pra que ficar aguando bons sentimentos? Não se preocupem, ele vai para a mesa dela assim que eu terminar este texto. Mas se ela não pegar para ler logo, não me responsabilizo se tiver súbita vontade de fazer releituras parcial ou total. Fazer o quê? Eu gostei, uai!

Bacci!!!
Beta Oliveira

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