Resenha: Quando Tudo Volta - John Corey Whaley

23/09/2016

Quando Tudo Volta
John Corey Whaley
Ano: 2014 / Páginas: 224
Idioma: português 
Editora: Novo Conceito
Uma morte por overdose. Um fanático estudioso da Bíblia. Um pássaro lendário. Pesadelos com zumbis. Coisas tão diferentes podem habitar a vida de uma única pessoa? Cullen Witter leva uma vida sem graça. Trabalha em uma lanchonete, tenta compreender as garotas e não é lá muito sociável. Seu irmão, Gabriel, de 15 anos, costuma ser o centro das atenções por onde passa. Mas Cullen não tem ciúmes dele. Na verdade, ele é o seu maior admirador. O desaparecimento (ou fuga?) de Gabriel fica em segundo plano diante da nova mania da cidade: o pica-pau Lázaro, que todos pensavam estar extinto e que resolveu, aparentemente, ressuscitar por aquelas bandas. Em meio a uma cidade eufórica por causa de um pássaro que talvez nem exista de verdade, Cullen sofre com a falta do irmão e deseja, mais que tudo, que os seus sonhos se tornem realidade. E bem rápido.

Oi gente,

Sempre acreditei que após o vale sombrio, mais conhecido como adolescência, somos capazes de reconhecer aquele tom melancólico/pessimista/sofredor, característico da época de terror dos pais e o nascer de um ser humano sociável, em qualquer lugar em que estivermos, mesmo sem saber quem fala. Porque poucas coisas são mais certas na vida do que a incapacidade dos adolescentes em viver dentro de uma “normalidade”.

Ouvi há anos algo que me faz rir até hoje sobre essa fase: Adolescentes são seres alienígenas que estão gerando um outro ser humano, que um dia sairá lá de dentro e poderá ser chamado de normal.

Lembrei de tudo isso durante a leitura, porque Cullen Witten é o retrato fiel do garoto de 17 anos que mora em uma cidade pequena e, aparentemente, esquecida do resto do mundo. Apaixonado por uma garota inalcançável, incapaz de decifrar seu futuro, mesmo que seja o mais imediato possível e perseguido por um valentão na escola. Ele é a personificação de 90% dos meninos nessa idade.

Exatamente por isso é fácil o reconhecimento com os sentimentos que Cullen experimenta, após dois fatos que mudaram a ordem das coisas: seu irmão mais novo, e a coisa mais próxima de bom em sua vida, some sem deixar rastro; e, um pássaro dado como extinto é visto em sua pequena e desimportante cidade. Esses dois eventos não se comunicam entre si, mas são o pano de fundo da história contada por John Whaley, que inclui nisso zumbis e muita divagação.

O livro tem histórias que se interligam, conflitos bem reais e um teco de suspense que deixa a segunda metade da leitura muito mais interessante. Sim, porque na primeira metade fiquei tentando entender até onde o autor queria me levar e me perdi um pouco na história, até mesmo me desinteressei por ela. O que ajudou foi a leitura muito fácil e, como já disse, a empatia que criamos pelos conflitos e loucuras de Cullen, por sua dor e desespero até.

Quando Gabriel, sendo o irmão querido, sensato e responsável, embora mais novo, some sem deixar rastros, não tem como deixar de entender e apoiar as atitudes de Cullen. E quando ele assume para si um grande bocado da responsabilidade pela família, o que desejamos é entrar lá e dizer o quanto ele está sendo mais maduro do que eu seria.

Outros personagens do livro têm importância no cenário paralelo criado, como um filho obcecado por uma religião que o pai impôs e um amigo que fica paranoico pelos aparentes sinais deixados em um livro apócrifo(?). Esses capítulos alternados, para mim, salvaram o livro, por criar uma válvula de escape para meu cansaço na melancolia de Cullen e aguçar a curiosidade no que viria a seguir. Ponto para o autor.

O livro curto e a diagramação fofa ajudaram bastante a encaixá-lo no gênero Young Adult (YA), mas em muitos momentos fiquei achando que ele falava mais com essa velha aqui do que com alguém da idade indicada, estou louca? Provavelmente.

Algumas (muitas) falhas de revisão me incomodaram ao longo da leitura, o que não acontece com tanta frequência nos livros que leio da editora, ficou a interrogação do que aconteceu dessa vez.

Lilian Sinfronio

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3 comentários :

  1. Gosto de ler uns livros assim de vez em quando. Dá pra relembrar esses tempos e ver umas crises que, a gente quando passa, acha que é só com a gente que acontece. Ai ai...
    Estranha essa frase do ser alienígena. Eu heim xD
    O livro parece legal e bem típico de adolescentes nessa idade mesmo. A parte de cidade pequena me chamou atenção. Fez pensar de onde morava...
    E sendo uma história pequena acho que é até rápido de ler. Seria uma leitura interessante.

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  2. Vc foi mais corajosa que eu pq abandonei a leitura. Achei tudo muito confuso. Juro, li a primeira parte duas vezes e deu um nó no meu cérebro... Tbm gostaria muito de saber onde o autor queria chegar. Muito se falou sobre ele, criei expectativas e fiquei com cara de boba.

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  3. Confesso que não me interessei pela trama de Quando Tudo Volta, nem mesmo o suspense que há na história me deixou curiosa... por isso dificilmente eu leria esse livro.
    Ps: sério que teve falhas de revisão ao longo da leitura?! Fiquei surpresa, como você mesma disse isso não é algo que acontece com tanta frequência nos livros dessa editora... muito chato isso...

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