Resenha: Uma Noite Com Audrey Hepburn - Lucy Holliday

20/06/2016


Uma Noite Com Audrey Hepburn
Lucy Holliday
Ano: 2016 / Páginas: 272
Idioma: português 
Editora: Harper Collins

A atriz Libby Lomax encontrou seu refúgio no mundo dos filmes clássicos, nos quais as deusas imortais favoritas da tela parecem oferecer muito mais romance do que a vida real. Depois de um dia terrível no set de filmagens, onde ela passou a maior vergonha de todos os tempos na frente do elenco inteiro e, pior, do astro sexy e notório bad boy Dillon OHara, tudo o que Libby consegue fazer é se jogar no sofá e assistir a Bonequinha de luxo pela milionésima vez. De repente, ela se surpreende ao ver a estrela do cinema, Audrey Hepburn, sentada bem ao seu lado, em seu vestidinho preto, clássicos óculos escuros e cigarrilha vintage, cheia de conselhos para dar. Mas será que Libby realmente é capaz de transformar sua vida de fracasso em um incrível blockbuster? Talvez, com um pouquinho da ajuda mágica de Audrey, ela até consiga.
Ciao!!

- Ah, todo o conjunto de característica da chicklit britânica lindamente reunidos neste livro: personagem com histórico de problemas com parentes (no caso de Libby, pai, mãe e irmã), se sentindo frustrada na carreira (Libby mesmo depois de adulta se deixa forçar a ser figurante para realizar o sonho da mãe que quer ver as filhas envolvidas no meio artístico), com um melhor amigo parceiro de todos os momentos (Olly. Depois falo dele) e uma amiga fiel escudeira (Nora, a irmã de Olly), o homem inatingível (Dillon), a rival rancorosa (Rhea) e um festival de trapalhadas e situações constrangedoras. O tempero é a fada-madrinha/conselheira da vez: a “aparição” de Audrey Hepburn, caracterizada como algumas de suas personagens mais famosas, Holly Golightly (de Bonequinha de Luxo), princesa Ann (A princesa e o plebeu) e Sabrina (do filme de mesmo nome). 

Audrey e Gregory Peck em "A princesa e o plebeu"
- De certa forma, a gente consegue compreender porque a imagem de Audrey surge pra terminar de virar a vida de Libby do avesso. Primeiro porque pra uma garota chamada Liberdade, ela era extremamente presa a uma vida infeliz. Queria mais atenção da mãe, que só se identifica e prioriza a filha caçula, com quem comunga os mesmos projetos de fama no meio artístico (sem apresentar talento ou vontade de se esforçar para ser reconhecida pelo trabalho, não pela beleza ou atributos físicos). Aprendeu com o pai a gostar dos astros e estrelas da Hollywood clássica – mesmo motivo que o pai alegava para não ser um pai de verdade, presente e que se interessava pela filha, já que estava trabalhando (quase que eternamente) em um livro sobre eles. Perdeu o emprego que nunca quis de verdade. Estava em um apartamento longe de ter o conforto que queria na sua tentativa de independência, que teve móveis tirados dos abandonados por um estúdio de cinema. E foi no sofá Chesterfield, após um dia horroroso, que Libby encontrou a atriz que mais admirava: Audrey Hepburn em “alucinação e osso?!” na sua sala.

- A partir daí, é a tradicional sequência de trapalhadas entremeada com jornada de autodescoberta que vai transformar a nossa heroína patinho feio e sem autoestima em finalmente alguém digno de ser visto... por ela mesma! Afinal de contas, ela passou uma vida inteira à sombra e se depreciando e conformada em um círculo vicioso onde ela era sempre figurante na própria vida. Então, sair disso, por bem ou por mal, é chocante, é constrangedor, é inseguro, é confuso. Mas como Libby escuta de Audrey, “você precisa de um pouco de fogo na sua vida” (não tão literalmente como acaba ocorrendo logo no início do livro). E para isso, seria necessário romper algumas amarras autoimpostas, quebrar alguns modos de comportamento e colocar alguns relacionamentos não muito saudáveis em pratos limpos.  

Audrey e Fred Astaire em "Cinderela em Paris"
- Nesta jornada, temos as demonstrações de dois relacionamentos dela. Com o melhor amigo, Olly, que ela conheceu em uma situação igualmente constrangedora e desgastante alguns anos antes. Ele é o ombro amigo para todas as horas, com quem ela se sente à vontade para falar sobre quase qualquer coisa. Acredito que vamos ter mais dele nos próximos livros, pelas pistas que ficaram no ar neste. Já o outro relacionamento se inicia quando ela encontra com Dillon, o homem inatingível, lindo, aparentemente perfeito que só se relaciona com supermodelos e, para surpresa dela, ele demonstra interesse (ok, ele marcou um ponto importante comigo ao elogiar garotas de cabelo curto, sem dar o tradicional chilique: “mas por que você não quer parecer feminina?”. O que, no meu caso, costumo ignorar pra evitar a seguinte resposta: “Sério que a sua noção de feminilidade está associada ao cabelão? Fale sobre Sansão”) E uma série de situações constrangedoras – algumas por conta própria dela e outras com interferências alheias – contribui para que eles fiquem indo e vindo, enquanto Libby vai se virando diante das mudanças em série na própria vida.

Audrey em "Bonequinha de Luxo"
- No entanto, não consegui imaginar ela recebendo conselho da Audrey Hepburn, mas da Holly. Não sei se o figurino descrito na maioria das cenas me influenciou, mas na minha mente era Holly e não Audrey quem falava. Mesmo quando mencionava fatos da vida pessoal da atriz. E embora o meu lado racional quisesse um motivo que explicasse as aparições Audrey (além da projeção que a carente Libby fazia nas personagens dela. Mas uma possibilidade é citada no fim do livro), sejamos sinceras: tem coisas que não precisam fazer sentido para a história funcionar. Não é 100%, mas entretém. E tem dias que preciso de livros assim.

- E o começo de uma trilogia, onde (estou pressupondo), vamos ver Libby saindo da casca onde se manteve e se deixou manter por quase toda a vida. Quando li na orelha do livro que seria uma trilogia, deduzi a segunda diva que ela encontraria antes de ler o trecho que vem de brinde no final. Fiquei na dúvida em quem seria a terceira. Nada como um pouco de pesquisa para ajuda blogueira a matar a curiosidade.

Série Libby Lomax
A night in with Audrey Hepburn – Uma noite com Audrey Hepburn
A night in with Marilyn Monroe – Uma noite com Marilyn Monroe
A night in with Grace Kelly – será lançado lá fora em dezembro de 2016

Bacci!!!
Beta Oliveira

PS.: E se nunca viram um filme da Audrey Hepburn, recomendo os meus favoritos: A princesa e o plebeu, Sabrina, Cinderela em Paris, Como roubar um milhão de dólaresMinha Bela Dama Quando Paris alucina. Preciso ver Charada, que ela fez junto com Cary Grant.

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3 comentários :

  1. Adoro Audrey Hepburn, então é uma história que já me ganhou logo de cara. Mas tbm adoro esse paradoxos, como ter o nome Liberdade e ser presa. Tbm há esse deferência da mãe pelas filhas e Audrey "chega" como uma válvula de escape pra Libby.

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  2. Gostei desse livro pelo apelativo com a atriz. Foi uma coisa que achei legal e ao menos dá pra esperar algumas dicas de filmes ou curiosidades (quem sabe?1). Mesmo que tenha coisas que não façam muito sentido...
    Mas sei lá, não me deu muita vontade de ler agora. É mais aquele tipo de livro que acho bacana e interessante mesmo, mas não despertou tanta vontade de ler no momento =/
    A ideia foi boa de qualquer forma e ainda fica a dica. Quem sabe posso tentar ler quando lançarem o outro, aí daria pra pegar tudo de uma vez e ver como é.

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  3. Gostei da premissa do livro, achei a capa linda e também gosto da Audrey então fiquei curiosíssima para ler.
    Parece ser bem divertido, e cheio de reviravoltas que vão deixar a Libby mais "liberta", rs
    A mãe dela parece ser bem chata ahein.
    bjss

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Feliz dia!!!

Atenção

Oi gente, o blog ganhou um layout novo e como eu migrei do wordpress para o blogger, os posts antigos estão muito bagunçados. Toda mudança gera uma bagunça e não seria diferente por aqui.
Irei arrumando os posts sempre que eu tiver um tempinho, conto com sua compreensão.

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