Resenha: O gerente noturno – John le Carré

15/06/2016

O Gerente Noturno
Livro que deu origem à série The Night Manager, estrelada por Hugh Laurie e Tom Hiddleston
John Le Carré
Ano: 2016 / Páginas: 518
Idioma: português 
Editora: Record
O gerente noturno Jonathan Pine se vê duas vezes no caminho do milionário, filantropo Richard Onslow Roper, que vem a ser “o pior homem do mundo”, mas que sempre escapa impune. E se torna aquele que poderia colocar um fim nisso. Cooptado por uma agência de inteligência inglesa, ele abre mão da vida sem emoções de gerente noturno de um hotel, resgata o passado de soldado acostumado a se infiltrar no lado inimigo, se torna um foragido pronto para ser cooptado pelo grupo que enriquece negociando armas e drogas. No entanto, além dos riscos óbvios, Jonathan e quem o apoia precisarão enfrentar inimigos e interesses além do que imaginavam para saírem vivos da missão.
Ciao!

Eu torcia para que isso acontecesse! Sabia que, com o lançamento da minissérie da BBC, havia uma boa chance de relançamento do livro, com capa baseada na minissérie.
Porque eu tinha o firme propósito de não ver a minissérie antes de ler o livro.

Comentários.

- Eu pensava o seguinte: preciso ler o livro antes, porque já sei que a minissérie vai me ganhar. E também sei (pelo que acompanhei de repercussão nas seis semanas em que foi exibida) que pegou a base da trama do livro, mas atualizou o contexto, porque se passa em 2015, não em 1993. Mas isso é assunto para depois. 

 “Não há ninguém melhor do que um inglês bom, nem ninguém pior que um inglês ruim. Já o observei. Acho que o senhor é um dos bons. Mr. Pine, o senhor conhece Richard Roper?” (p.18)

- Voltando ao que interessa: para minha felicidade, o livro também me ganhou. Acabou com as minhas unhas, é verdade. Aquele “universo claustrofóbico” citado no resumo da contracapa é absolutamente comprovado – e desde o início do livro. O autor nos apresenta a trama – com narrativa em terceira pessoa – por meio da jornada de dois homens que queriam justiça: o gerente noturno Jonathan Pine e o funcionário de uma agência de inteligência do governo inglês, Leonard Burr. E também nos apresenta o estilo de vida de quem se enriquece com o caos, com a ganância e com a ambição de grupos e governos interessados em manter o mundo da forma mais conveniente aos próprios interesses. Neste caso personificados na entourage que acompanha, diverte e entretém Richard Roper enquanto ele permanece livre negociando morte e caos.

- Jonathan tentou se afastar da vida de soldado, mas acabou completamente tragado para a confusão quando atendeu ao pedido de Sophie, a então amante do dono do hotel onde trabalhava no Cairo. Ele se envolveu com a mulher proibida que sabia demais. Ao intervir pensando em “fazer o bem” levou-a à morte. Então se mudou para a Suíça – onde o próprio Richard Roper foi se hospedar. Por meio dos meandros burocratas e espiocratas (juro que nunca tinha atentado pra possibilidade desta palavra existir antes deste livro), ele foi localizado por Burr com o canto da sereia: poderia ser o instrumento que faltava para que finalmente justiça fosse feita e Roper pagasse pelos crimes que cometeu. Poderia voltar a ser o soldado. Poderia vingar a morte de Sophie. Poderia sossegar a própria consciência.

- Burr trabalha nos bastidores para criar toda a identidade que permita Jonathan ser aceito por Roper e seu grupo quando chegar a hora, mas é um trabalho demorado onde ele tinha apenas uma certeza: não poderia confiar em muitas pessoas. Sabe aquela coisa de que “o segredo é a alma do negócio”? O livro comprova. Ainda mais porque manter Roper ativo é a meta dos integrantes de alguns governos. Se existe a espionagem, existe também a contraespionagem para antecipar e se prevenir de ser desmascarados e presos.

- O autor nos coloca junto com Jonathan no período em que construiu a identidade “criminosa” dele. A gente acompanha as reações dele no decorrer do plano – e especialmente quando as coisas não seguem como o previsto. Viramos o “ombro” dos desabafos mentais de por que está fazendo isso e como reage diante das complicações – como o interesse por Jemina “Jeds” Marshall, a amante de Roper.

- Ah, sim, depois que o plano engrena, prepare o coração, porque o tempo todo nós – e Jonathan – sabemos que ele pode ser desmascarado se falhar, ou se o plano vazar ou se Roper intuir que ele é um infiltrado. Ao mesmo tempo, estamos na Inglaterra vendo como Burr e seus aliados são boicotados, cerceados e monitorados na disputa entre agências na Inglaterra e até mesmo com integrantes dos serviços de inteligência nos Estados Unidos. Tudo fica por um fio. E lá se foi uma madrugada (“ah, vou dormir depois deste capítulo” virou uma leitura non-stop de 200 páginas!) e algumas unhas roídas até finalmente o livro chegar ao ponto final.

- Puxando pela memória, não me lembro de ter lido thriller de espionagem – já vi filmes. Ou seja, O gerente noturno abriu uma nova porta para mim. E eu gostei. Além disso, entendi porque os produtores escolheram o livro para adaptar em minissérie. Ele é extremamente visual – você consegue criar as imagens na sua mente do que o autor descreve e perceber os sentimentos dos personagens, mesmo quando eles estão fingindo.


- Ah, caso você também leia o livro antes de ver a minissérie e não quiser spoilers, não leia a carta escrita por John Le Carré para este relançamento, falando sobre as adaptações dos livros dele para cinema e TV, da surpresa ao saber o que os produtores de The night manager pretendiam mudar na trama original (e o susto que ele levou com algumas destas alterações) e como ver a minissérie fez com que ele reavaliasse algumas coisas que colocou na história original e até mesmo a forma como compreendia os personagens. Provavelmente mesmo com algumas falhas, só do autor dizer que entrou para a lista seleta das adaptações favoritas das suas obras, deve ter sido um elogio e tanto para todo mundo envolvido na produção. Aliás, espero ver algumas delas na temporada de premiação do Emmy, Golden Globes e afins (expectativa óbvia diante do festival de críticas positivas recebidas dos dois lados do Atlântico).

- Agora sim, com o livro que terá lugar cativo na estante já na pilha da minha mãe (que disse achar o Hugh Laurie bonitão – e ela nem viu House), estou pronta para ver a minissérie no primeiro tempo livre que tiver!

Bacci!!!
Beta Oliveira

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4 comentários :

  1. Vi alguma coisa ou outra dessa adaptação, mas nem sabia que tinha livro.
    Não fiquei com muita vontade de assistir, confesso. Acho que porque coloquei uma penca de série na lista dos que queria ver e já não tinha era tempo pra mais mesmo. Talvez alguma outra hora...
    Mas não lembro de ler muitos livros nesse estilo também. Acho que só um ou dois no máximo e não parece ser tão bom quanto esse. Se for mesmo visual e tão bom na forma de passar o que estão sentindo, deve ser um boa experiencia ler e depois ver essa produção. É uma boa dica.

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  2. Sempre vou preferir livros a adaptações, mas é impossível querer ler algo que é estrelado por Hugh Laurie e Tom Hiddleston. To com a série aqui e quero começar ainda hj. Adoro esse clima de mistério.

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  3. Amo adaptações e tambem costumo ler antes de ver qualquer coisa. Sou viciada em series, mas esta não me chamou atenção talvez assistiria pelo Hugh Laurie. Também não li muitos thriller e de espionagem tenho certeza que nunca li nada. Não é um livro que colocaria em minha lista de leituras, mas quem sabe depois de assistir a serie.

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  4. Nossa, é bem diferente do que estou acostumada a ler!
    Não costumo assistir séries, então acho que vou ler o livro, quero saber mais , fiquei instigada!
    bjos

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Obrigada por comentar!
Feliz dia!!!

Atenção

Oi gente, o blog ganhou um layout novo e como eu migrei do wordpress para o blogger, os posts antigos estão muito bagunçados. Toda mudança gera uma bagunça e não seria diferente por aqui.
Irei arrumando os posts sempre que eu tiver um tempinho, conto com sua compreensão.

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