Resenha: Quarto – Emma Donoghue

19/05/2016

Quarto
Emma Donoghue
Ano: 2011 / Páginas: 350
Idioma: português 
Editora: Verus
O Quarto é o mundo de Jack e a Mãe, onde dormem, comem, rezam, tomam banho, brincam, leem. Onde estão há anos, sem contato com “Lá Fora”. Jack não percebe plenamente, mas eles estao trancados ali e dependem do Velho Nick para comer e ter as condições de viver. No entanto, pela segurança deles, as coisas precisam mudar e Jack terá que ser corajoso para ajudar a Mãe a ser bem sucedida a escapar do cativeiro, mesmo sem a certeza de que os dois estão prontos para superar os traumas e serem livres.

Ciao,

- Quarto é ficção, mas inspirado em fatos muito reais: nestes casos onde homens sequestram jovens e as mantém em cativeiro por anos. Basta uma pesquisa rápida no Google e vão encontrar casos chocantes descobertos nos últimos anos. E eu ando preferindo me distanciar da realidade ao ler: por isso também não vi o filme que rendeu o Oscar de Melhor Atriz à Bree Larson e deveria ter indicado o fofo Jacob Tremblay pelo papel dificílimo que é ser o protagonista desta história.

- Eu sabia o quanto o livro era forte. E a maior força dele está em ter um narrador de cinco anos de idade – completados logo no primeiro capítulo. Jack é um menino que nunca saiu do Quarto, desde que nasceu. O mundo dele se resume ao universo confinado naquele espaço restrito. Um universo construído inteiramente pela jovem de 26 anos que é a Mãe dele. Em uma situação totalmente atípica, ela conseguiu criar um ambiente razoavelmente saudável para o desenvolvimento de um menino inteligente, esperto, observador, que conta a história de uma jovem sequestrada que teve um filho no cativeiro e que sabia que, para o bem deles, teria que descobrir uma forma de escapar de um quarto feito justamente para impedir qualquer fuga.

- Muito do poder do livro está no que Jack narra sem compreender plenamente. Jack não conheceu outra vida que não seja aquela e ainda está pequeno demais para entender que é uma situação de violência sexual, física e psicológica, ameaça e restrição de liberdade. Mas a Mãe – e quem lê – sabe que existe um mundo muito mais amplo que o Quarto: conhecimentos, relacionamentos, músicas, cheiros, experiências, lugares, família. Tudo que foi tirado abruptamente dela, quando foi sequestrada. Tudo que ela, por ainda estar confinada e dependendo do captor, não pode dar ao filho como qualquer mãe gostaria.

- O problema é que desejar a liberdade pode não trazer a paz sonhada durante o período de sequestro e confinamento. Mãe e Jack se tornam estranhos/estrangeiros na sociedade. Ela, por ter passado sete anos afastada contra a vontade, forçada a uma transição de jovem para Mãe (em nenhum momento sabemos o nome dela, apenas a conhecemos pela sua identidade de Mãe, que é como ela é vista pelo filho, narrador da história) em um ambiente nada saudável, os traumas que precisará enfrentar mais cedo ou mais tarde, os laços familiares estremecidos, o olhar – e o julgamento (sim, ninguém tem nada que emitir juízo de valores sobre o sofrimento enfrentado por ela, principalmente, mas vai dizer isso nessa sociedade acostumada a julgar tudo e todos do alto do poleiro da arrogância de se achar o último bastião incólume da sociedade) – dos outros e a necessidade de se submeter para proteger o filho e de tomar a decisão de arriscar uma fuga pelo mesmo motivo: o medo de que o captor coloque Jack em risco. E o menino porque o “Lá Fora” era algo abstrato, que quando se tornou concreto era assustador porque ele não tinha referências anteriores para lidar e elaborar significados que expliquem a dinâmica além do Quarto.

- É pesado, é tenso, é melancólico, é doído, é frustrante. Eu disse que era forte. Disse que era ficção e, ao mesmo tempo, real. É um exemplo do que uma Mãe é capaz de fazer por um filho, do quanto é capaz de aguentar e de sofrer por ele e do quanto uma criança foi o motivo que a manteve de pé em uma situação totalmente adversa. Fala sobre dor. Fala sobre perda. Fala sobre medo. Fala sobre afeto. Fala sobre trauma. E acima de tudo, fala sobre amor.

Bacci!!!
Beta Oliveira

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4 comentários :

  1. Já faz um tempo que quero ler e ainda não consegui =/
    É um livro forte mesmo. Bonito e cruel. E a forma como é contada parece fazer tudo ficar ainda mais emocional, mais impactante. Vejo tantos elogios para ele...
    Ainda quero ver se leio esse ano. É bom mesmo.

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  2. Confesso que livros pesados, tensos, melancólicos não fazem parte do meu estilo de leitura, temas iguais ao que é abordado em Quarto mexem bastante com o meu emocional, então prefiro não ler.
    Abraços!

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  3. Houve um equilíbrio na história: um tema forte como violência psicológica/física e, por outro lado, contada por uma criança, com toda a sua inocência. Quis esse livro – ainda quero – desde a primeira resenha, mas preciso estar psicologicamente preparada.

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  4. Oi! Eu esperava um grande drama neste livro e achei a história superficial em vários aspectos. Nem me animei para ver o filme.

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Obrigada por comentar!
Feliz dia!!!

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Oi gente, o blog ganhou um layout novo e como eu migrei do wordpress para o blogger, os posts antigos estão muito bagunçados. Toda mudança gera uma bagunça e não seria diferente por aqui.
Irei arrumando os posts sempre que eu tiver um tempinho, conto com sua compreensão.

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