Resenha: Belle Époque - Elizabeth Ross

18/04/2016

Belle Époque
Elizabeth Ross
Ano: 2014 / Páginas: 294
Idioma: português 
Editora: Verus
Na Paris da Belle Époque, tudo está à venda — inclusive a beleza. Quando Maude Pichon foge de casa, na provinciana Bretanha, e vai para Paris, seus sonhos românticos evaporam tão rápido quanto suas economias. Desesperada para arrumar um emprego, ela responde a um estranho anúncio de jornal — a Agência Durandeau está em busca de jovens pouco atraentes a fim de fornecer a suas clientes um serviço singular: uma moça sem graça contratada para acompanhar as damas da sociedade e fazê-las parecer mais belas.
A condessa Dubern precisa de uma acompanhante para Isabelle, sua voluntariosa filha, e Maude é considerada o adorno perfeito para tornar a moça mais bonita. Isabelle nem desconfia de que sua nova “amiga” foi contratada pela mãe, e a mera presença de Maude entre a aristocracia depende de que consiga guardar esse segredo. No entanto, quanto mais ela conhece e se afeiçoa a Isabelle — uma jovem determinada a desafiar as expectativas da sociedade e a estudar ciências na universidade —, mais sua lealdade é posta à prova. E, enquanto a farsa persistir, Maude terá muito a perder.
Belle Époque se passa no auge da boemia parisiense, quando a cidade efervescia, homens e mulheres estavam no ápice da elegância e a moral estava em franca decadência.
Esta é uma história de coragem, paixão e desafio que se desenrola sobre o pano de fundo de um dos períodos mais importantes da história da Europa.

Uma constante nos livros de romance são as mocinhas bonitas e perfeitas. Dificilmente você encontra uma mocinha que foge dos padrões; que seja gorda, dentuça, ou feia. 

Maude fugiu de casa, quando o seu pai tentou casá-la com um homem gordo,velho e violento. Ela resolveu que era melhor fugir e morrer de fome em Paris, do que ficar e ter uma vida miserável e acabar morrendo de pancada.

Depois de um tempo penando como lavadeira ela recebe uma proposta de trabalhar como “folheta”, que nada mais é do que uma acompanhante feia para mulheres não tão bonitas. O raciocínio do seu empregador é o seguinte: se você pegar um objeto comum e sem graça e colocar ao lado de outro objeto declaradamente feio, o sem graça vai parecer muito mais interessante e até mesmo bonito. E é isso que as garotas que trabalham nesse emprego estranho fazem: transformam mulheres sem graça em maravilhas, apenas ficando ao lado e apresentando a sua feiura ao mundo.

Mas Maude tem um pouquinho mais de sorte, ela vai trabalhar de acompanhante sem graça de uma garota que não sabe que ela está prestando seus serviços. A garota não é feia, é inteligente, o que é bem pior na opinião da nobreza, e Maude e ela desenvolvem uma amizade sincera. 

O tema é bem diferente. Não me lembro de ter lido nada parecido. Normalmente as mocinhas são bonitinhas, ou no máximo são descritas como sem-graça, mas com algum encanto que conquista o mocinho, mas nunca como FEIAS. Aliás, se eu parar para pensar bem, nem romance teve direito. A Maude até tem um pretendente, mas ela não o leva muito a sério, e o livro decididamente não revolve em cima disso. O enfoque da historia mesmo é em cima do estranho emprego da Maude e em sua relação com a sua missão, que é fazer com que a filha inteligente da condessa, Isabelle, apareça na sociedade e consiga um bom casamento. Só que, como eu disse, as duas desenvolvem uma amizade sincera, e Isabelle quer mais da vida do que apenas se casar. Estamos na virada do século 20 e as mulheres estão começando a aprender que podem estudar, ter um emprego e uma vida própria. Possibilidades mil se anunciam junto com a construção da Torre Eiffel, Isabelle não quer ficar para trás e ela acaba contagiando Maude, que acaba até se esquecendo do seu real propósito.

Maude me irritou algumas vezes durante a leitura, fazendo coisas estúpidas, mas perfeitamente razoáveis ao desenrolar dos fatos. A história foge do lugar comum, e gostei bastante da critica sobre a valorização da mulher, proposta pela autora, e até a metáfora da Torre Eiffel, sobre o feio sendo belo, encaixou perfeitamente na história.

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9 comentários :

  1. Achei legal justamente por fugir dos padrões. Parece ser uma história muito boa e mais real por isso, menos romantizada pelo gênero. E as críticas presentes fazem você refletir. Estou com ele aqui faz um tempinho e não li. Melhor fazer isso logo né? Porque até se não gostar, está aí um livro diferente.

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    1. Oi Cristiane. Então, esse livro ficou parado uns 5 meses aqui em casa, mas eu vi uma resenha que me despertou a curiosidade e fiquei com uma vontade imensa de ler. Não decepcionei.

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  2. Não li nada da autora, mas também não me lembro de já ter lido um enredo parecido. Lembro de alguns livros em que as mocinhas não são belas, estonteantes - Lynsay Sands gosta bastante desse plot.
    Curti a resenha e fiquei bastante curiosa... eu poderia ser uma folheta hahahahahaha

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    1. Ah Jois, esse é uma boa pedida! Eu estranhei um pouco no comecinho e fiquei lá procurando coisas parecidas com o que eu estava acostumada, mas depois eu desencanei e aproveitei bastante o livro.

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  3. Ainda não tinha lido nenhuma resenha sobre esse livro e confesso que achei interessante. Bom saber que foge aos padrões e não é tão bobinho ou focado apenas em futilidades.
    Gostei.
    Beijos

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    1. Ah, mas ele é totalmente focado nas futilidades! Alias, o mote é justamente esse: até onde as pessoas são capazes de ir para se sentirem bonitas. Vale uma conferida.

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  4. Gosto de personagens corajosas, que enfrentam tudo para ter um vida melhor. Com isso, creio que irei gostar da história apenas pelas características de Maude.
    Também achei muito interessante o fato de que a autora conseguiu fazer uma crítica sobre a valorização da mulher.
    Tenho certeza que iria amar ler a Belle Époque.

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    1. O livro tem um pé bem grande, tamanho 44, no feminismo. Mas não de levantar bandeira e fazer discurso, mas sim em mostrar como que a mulher se desvaloriza e como ela pode agir para mudar isso.

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  5. Humm,a resenha chamou minha atenção para características diferentes que não esperava encontrar em Belle Epoque.
    Gostei da protagonista "feia",realmente é incomum ter uma descrição da mocinha assim,e o cenário francês e outro ponto positivo que me conquista.Fiquei com vontade de conhecer mais da trama.

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