Resenha: Redoma - Meg Wolitzer

12/02/2016

Redoma
Meg Wolitzer
Ano: 2015 / Páginas: 287
Idioma: português 
Editora: Globo Alt
Considerado o melhor livro jovem de 2014 pela Time se inspira no clássico autobiográfico de Sylvia Plath para falar sobre a dor da perda e a busca pela aceitação na adolescência
Se a vida fosse justa, Jam Gallahue estaria vivendo sua vida tranquila em Nova Jersey, assistindo a séries de comédia e abraçando seu namorado, Reeve Maxfield. Ela não estaria infeliz e sem vontade de se levantar da cama, nem estaria em um internato para adolescentes “emocionalmente frágeis”, com uma colega de quarto esquisita. Mas a vida não é justa, Jam perdeu seu primeiro amor e está completamente perdida.
A mudança de escola parece a única possibilidade de recuperação para a garota, que passou quase um ano mergulhada em tristeza. No entanto, ela odeia a nova rotina e decide levar tudo com o menor esforço possível. Por isso, Jam fica bastante surpresa quando descobre que foi selecionada para a exclusiva e lendária aula de “Tópicos Especiais em Inglês”, da misteriosa Sra. Quenell.A turma tem mais quatro estudantes, todos com histórico de traumas ainda piores que os de Jam. Mesmo assim, a professora parece não se importar com a fragilidade de seus alunos quando escolhe o livro que trabalhará durante o semestre: A redoma de vidro, de Sylvia Plath. O romance, que narra a série de eventos que levariam a estudante Esther Greenwood a um colapso nervoso, parece a opção mais improvável, e talvez inadequada, para adolescentes que ainda estão superando experiências difíceis.Além das discussões sobre o livro, cada aluno tem a tarefa de escrever em um diário entregue pela professora. E é esse trabalho que leva Jam e seus amigos desajustados à Redoma, um lugar misterioso onde o passado pode ser revivido, e cada um dos alunos pode rever sua vida antes do momento traumático que levou ao internato. Repleto de referências ao clássico de Sylvia Plath, Redoma é um romance sobre o primeiro amor, o sofrimento profundo, o amadurecimento e os problemas de aceitação na adolescência. É também uma história sobre como a amizade pode ajudar a superar os piores traumas da vida.

Depois de um evento devastador, Jam vai estudar em uma escola especial chamada Celeiro, um internato onde são admitidos jovens que estão passando por momentos emocionalmente difíceis, não chega a ser algo como uma clinica psiquiátrica, mas o local é voltado para que esses jovens tenham um apoio para superarem seus traumas. Eles isolam os alunos da vida online e incentivam o contato social entre eles. Na verdade, o local não é explorado pela autora, então não dá para entender muito bem como funciona esse internato que não é hospital nem escola normal. Então pra mim é só um lugar para que os cinco alunos escolhidos para a aula especial se encontrem.

“Por motivos que jamais compreendi, eu era um dos cinco alunos selecionados para comparecerem a uma aula chamada Tópicos Especiais em Inglês. O que aconteceu nessa aula é algo que nenhum de nós jamais conversou com outra pessoa. Mas é claro que pensamos nisso todo o tempo, e acho que continuaremos a pensar pelo resto da nossa vida. E a coisa que mais me espanta, a coisa que me deixa obcecada: se eu não tivesse perdido Reeve, se eu não tivesse sido mandada para aquele internato, e se eu não tivesse sido um dos cinco adolescentes “emocionalmente frágeis e altamente inteligentes” em Tópicos Especiais em Inglês, cujas vidas tinham sido destruídas de cinco maneiras diferentes, então eu jamais teria ouvido falar na Redoma”.

O que realmente importa é os cinco alunos que se veem juntos na aula, seus traumas e como eles acabam superando o que aconteceu com eles. Shierra que teve seu irmão mais novo sequestrado, Marc que considerava seu pai um herói, mas se decepcionou com ele, Griffin foi dado como o responsável pela destruição do celeiro da família, Claire ficou paraplégica e Jam perdeu seu namorado.

“— Apaixonar-se por alguém e perdê-lo assim — comenta Marc. — Deve ter sido devastador, Jam. 
— Foi — concordo. Devastador. Prefiro essa palavra a trauma. O que aconteceu foi devastador. E, por causa disso, fiquei devastada. E acho que ainda estou.”

A professora Sra. Quenell usa os textos de Sylvia Plath como tema da aula, principalmente seu único livro, A redoma de vidro. Eles devem ler o livro e debater durante todo o semestre. Também entrega a eles um diário que deve ser preenchido duas vezes por semana. É aí que a história fica interessante.

Por que os diários têm um “quê” de magia e isso deixa os cinco muito confusos, mas ao mesmo tempo acaba ajudando a descobrir sobre os traumas que sofreram. Fiquei impressionada com isso, porque a professora usa os textos de Plath para ajuda-los, muitos debates trazem a tona sentimentos dos alunos, mas são os diários que os une de forma definitiva, que realmente toca no problema. Depois que eles escrevem no diário e a magia ocorre, eles se encontram para conversar sobre isso, então um pouco do trauma deles se desfaz e confesso que achei essa jornada bem especial.

“— Qualquer pessoa que se torne um especialista em Plath, como todos vocês se tornaram, perceberá que o que ela tinha, em primeiro lugar, era uma voz. 
— Sim, era isso o que Sylvia Plath tinha. Sempre a ouvi na minha cabeça quando a lia. 
Mas ela não conseguiu escapar daquilo por que passou; do lugar para onde foi. E isso me faz sentir a dor desta escritora parada num tempo muito remoto. Essa pessoa, cuja voz eu ouço, mesmo à medida que me afasto daquilo por que passei.”

Não acho que seja o tipo de livro que agrade todo mundo. Tudo que se relaciona à saúde mental e/ou jornadas de amadurecimento, requer um tipo definido de leitores. Aqui não há aventuras ou humor, apesar de acontecer uma reviravolta interessante perto do final. Mas se você quiser saber como esses jovens lidaram com o que os devastaram usando tanto a literatura quanto algo mágico, poderá curtir tanto quanto eu. 

“ (...) Mas você não pode dizer que o que aprende na aula de Literatura não importa. Que a ficção não faz diferença. 
Eu estou diferente. É difícil expor em palavras, mas é a verdade.”

Por que eu realmente curti a leitura, ela é simples em sua totalidade apesar de tratar sobre emoções, o que nunca é simples, não é verdade?

Eu fiquei com muita vontade de ler A redoma de vidro de Plath, então deve ser uma das minhas próximas leituras. Gostei da forma como ela foi mostrada aqui e espero escutar a voz dela também.


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Um comentário :

  1. Não sei se leria porque não vi muito que me interessasse, apesar de parecer ser bom. Uma trama interessante, só que acho que não iria curtir muito. Penso que tem um tipo de leitor definido mesmo e eu não acho que seja um deles =/

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