Resenha: O Segredo da Bastarda - Cristina Norton

05/01/2016

O Segredo da Bastarda
Cristina Norton
Ano: 2014 / Páginas: 320
Idioma: português 
Editora: Casa da Palavra
UMA HISTÓRIA DE AMOR, TRAIÇÃO E INTRIGA QUE A CORTE PORTUGUESA ESCONDEU.
A portuguesa Eugênia de Meneses, neta do marquês de Marialva, passa dias felizes da sua infância no Brasil do século XVIII. Encanta-se com a beleza do lugar e com os escravos, conhece o célebre escultor que trabalha com o cinzel amarrado ao braço: Aleijadinho. Quando volta a Portugal, descobre outro mundo: é apresentada à família real e chamada para ser dama de companhia da princesa Carlota Joaquina.
A partir de então, Eugênia vê a sua vida tornar-se um verdadeiro pesadelo: a impiedosa princesa a acusa de ter um caso com D. João VI. E ela sabe que não sairá do crime impunemente. Baseando-se em fatos reais, graças a cartas, Cristina Norton conta neste romance comovente uma história abafada por ordem régia durante mais de duzentos anos.

Quem me indicou esse livro, foi a Aline, irmã de uma amiga, ela viu em uma vitrine, o titulo chamou a atenção e ela me mostrou a capa. Achei um titulo meio forçado, estilo dramalhão mexicano, mas a sinopse me conquistou!

Eu estava mesmo no clima para um romance de época passado em terras brasilis, e o livro tem uma pitada disto, mas quando comprei não sabia que era uma história real, e esse fato me surpreendeu muito.

Eugenia de Meneses era neta do famoso Marques de Marialva, e só recentemente foi descoberto que ela teve uma filha bastarda com o monarca D. João VI (aquele gordinho que era tarado numas coxas de galinha), se você procurar no google vai ver que o fato foi tratado como um “romance”, mas lendo o livro você descobre que não foi bem assim...

Eugenia Maria, é a filha bastarda de Eugênia de Meneses, e é ela quem conduz o livro, contando a história da sua vida à filha doente de tuberculose. Ela vai contando os fatos aos pouquinhos, tentando com isso manter o interesse e prolongar a vida da filha, que está muito doente.

A autora faz uma reconstrução da vida da personagem principal, Eugenia de Meneses, passando pela sua infância, da época quando seu pai foi governador-geral no Brasil, na região de Minas Gerais, em Vila Rica. Essa foi minha parte preferida, pois mostrou um tiquinho da situação do Brasil naquela época, com o inicio dos descontentamento que levou à Inconfidência Mineira e até teve uma participação do Aleijadinho, esculpindo em uma igreja.

Depois, ja de volta a Portugal, Eugenia se torna amiga da futura princesa de Portugal, Carlota Joaquina e conta um pouco da vida na corte e da sua insistência em não se casar com ninguém. Eugênia prezava acima de tudo a sua independência, era uma mulher forte para a época, mas mesmo assim não teve como fugir do seu destino e dos desmandos de seus superiores. E essa é a parte mais triste do livro.

Gostei bastante, não é um livro muito fácil de ler, por ser uma reconstituição de época. A autora se baseou em fatos históricos, cartas e documentos para reconstruir a vida de uma mulher que teve o nome banido e a reputação enxovalhada por ordem real. Em alguns momentos a leitura é excessivamente descritiva, mas mesmo assim eu entendi que a autora estava tentando dar um panorama mais rico dos fatos e da época.

Apesar da leitura ter sido demorada, eu apreciei bastante e se tornou um dos melhores livros do ano.

Depois de comentar, preencha: Formulário

Comente com o Facebook:

5 comentários :

  1. Cristiane Dornelas7 de janeiro de 2016 09:08

    Livro de época é sempre uma boa pedida, gosto muito. E esse parece ser fofo e gostoso de ler. Não conhecia, gostei da sinopse e da capa e parece ser bem bom. Li poucos de época que falem do Brasil e esse tem esse aspecto que achei interessante. Gostaria de conferir, acho que iria gostar.

    ResponderExcluir
  2. É incrível poder reconstituir uma história e somente pela época já dá pra perceber que nada era fácil.
    Lembro do gordinho tarado em coxas de frango em O Quinto dos Infernos.

    ResponderExcluir
  3. Também não li muito livros sobre o Brasil também, esse ano quero mudar isso.

    Beijos

    ResponderExcluir
  4. Eu tenho nervoso de histórias assim porque parece que sofro o dobro.

    Beijos

    ResponderExcluir
  5. Leticia Ramos de Mello Oliveira26 de janeiro de 2016 23:21

    Olá, Elis!

    Me lembro também do D. João VI de O quinto dos infernos (Que era interpretado pelo André Mattos, que até hoje faz papeis de portugueses mais cômicos. Por exemplo, no filme Os Caras de Pau, ele fazia um mafioso português que sempre errava o nome do anel que move a trama do filme), mas já ouvi que esse estereotipo de comedor de coxas de frango é um pouco um exagero criado pelos rivais dele (sejam os franceses quanto os que queriam a independência do país). Mas o livro mostra um lado dele que poucos ouviram falar, o que prova que a operação de esconder o caso com Eugenia de Meneses funcionou bem. O duro é que não só o ciúme de Carlota que acabou com esse caso, mas também os preceitos da época, em que um escândalo real sendo revelado poderia acabar com um reino (e mesmo assim, muitas traições conjugais ocorriam na nobreza), já que todos esperam um comportamento do rei que acaba sendo como uma representação dos territórios que comanda.

    Um abraço!

    ResponderExcluir

Obrigada por comentar!
Feliz dia!!!

Mais Recentes

Cadastre seu email

Você quer receber as postagens do CODINOME por e-mail? Então, inscreva-se aqui.

Em seguida, é preciso ativar a assinatura na mensagem de confirmação que vocês receberão em nome do Google FeedBurner.

Link Me!

CODINOME LEITORA

Codinome: Leitora - Copyright © 2016 - Todos os Direitos Reservados