Resenha: Um Amor de Detetive - Sarah Mason

16/07/2015

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Um Amor de Detetive
Sarah Mason
Ano: 2004 / Páginas: 336
Idioma: português
Editora: Bertrand Brasil




Neste divertido romance de estréia de Sarah Mason, Um amor de detetive, os opostos se encontram e - como não poderia deixar de ser -, também se atraem. A bela Holly Colshannon é uma ambiciosa e desastrada jornalista da Bristol Gazette. James Sabine (apenas um pouco mais bonito que ela), é um sargento-detetive durão, grosseiro e ressentido. Levados pelo acaso , eles se encontram diversas vezes por conta de uma série de conicidências bastante oportunas.


Rapidamente, a determinada Holly vê em James a grande chance de progredir em sua carreira e decide segui-lo por um período de seis semanas a fim de escrever uma coluna criminal, que poderá vir a ser o seu primeiro sucesso jornalístico. O lado positivo da situação é que ela consegue obter a tão sonhada coluna O lado negativo é que o bonitão não está nem um pouco feliz com a presença constante de Hally em sua vida.





Receita:

Pegue uma jornalista - Holly Colshannon - que só escrevia para a coluna de funerais de bichinhos de estimação e tem uma séria tendência a sofrer acidentes.
Acrescente um chefe - Joe - que a promove para repórter Policial e uma RP - Robin - que está disposta a dar uma chance a ela.
Reserve.
Adicione um policial - James Sabine - que odeia jornalistas, mas vai ter que aturar Holly por 6 semanas.
Coloque pitadas de palpites de uma amiga que quer casar - Lizzie -, um namorado que teme compromisso - Ben, a noiva perfeita - Fleur, uma família excêntrica e que não perde uma chance de ser dramática - os Colshannon e até mesmo uma beata que detesta Lizzie e Holly - Teresa Falsa Santa.
Tempere com casos policiais, um ladrão misterioso, um repórter fotográfico nada discreto, as piadinhas do departamento de polícia... e um médico de emergência lindo, maravilhoso e tudo de bom - além de acostumado a flagrar Holly nos piores e mais constrangedores momentos, onde impressionar um homem daqueles definitivamente não é uma prioridade.
Leve ao forno e aguarde...
Veja o resultado na coluna diária no Bristol Gazette e no livro Um amor de detetive.

Comentários:


- É um daqueles livros onde os opostos não se atraem, mas são obrigados a conviver por imposição. Holly queria ser uma grande jornalista, mas tinha a ingrata missão de escrever a coluna de obituários dos animais de estimação para o Bristol Gazette. Até que um dia, após a saída do repórter policial titular, ela se viu envolvida em um projeto que deveria melhorar as vendas do jornal e fazê-lo ganhar da concorrência: acompanhar a rotina da polícia local e narrar as impressões dela em uma coluna diária. A ideia ajudaria também a melhorar a imagem da polícia na comunidade. Tudo perfeito se não fosse um probleminha: o policial escolhido para acompanhá-la nas seis semanas era o sargento-detetive James Sabine. O que tinha de bonito tinha de mal humorado com o bônus de DETESTAR jornalistas.


- Holly é atrapalhada, desastrada, confusa, lida com a família excêntrica (e bota excêntrica nisso), tem um relacionamento confortável com Ben, um jogador de rugby e está envolvida até o pescoço nas trapalhadas próprias e nas alheias – como nas tentativas de ajudar a amiga Lizzie a convencer o namorado Alastair a levar o relacionamento ao próximo nível. É a típica protagonista impulsiva, quando percebe já está fazendo, sem analisar as consequências e que surta diante das coisas que precisa ou se vê obrigada a fazer (como a narração é em primeira pessoa, pelo ponto de vista dela, sabemos o tempo todo o que se passa nesta cabecinha destrambelhada). E o fato de ser uma habitué do pronto socorro, a ponto de ser conhecida por toda a equipe médica, especialmente o plantonista que era a cara e o charme de George Clooney (referência direta a série ER, para minha alegria), é só uma demonstração do quanto a exuberância e a criatividade de Holly não encontram apoio em coordenação motora e, às vezes, na sorte.


(Nem vou dizer nada sobre o fato de que as autoras de chicklit criam personagens com perfil semelhante no que se refere à profissão: Bridget Jones, Tasha Harris, Becky Bloom e a Holly trabalham em meio de comunicação. Quem não é, se torna jornalista. E a única feliz com o que faz é a Tasha Harris, a produtora de um programa de TV. Todas as outras querem algo a mais que ainda não alcançaram. Ah, todas são malucas de alguma maneira. Não sei até agora que tipo de jornalistas que essas autoras conhecem para inspirar esses personagens...).


- James não gosta dela. James não a leva a sério. Há momentos em que ela tem certeza de que James não a considera nem um ser humano e que só a atura porque foi obrigado. E para agravar, ele se torna responsável pela investigação de uma série de roubos de objetos antigos, com ela junto. James tem certeza de que ela vai estragar tudo e não se cansa de dizer isso e de demonstrar que não confia nela. Para a sorte dele, está de casamento marcado para justamente o final do diário e sairá desta relação forçada para a estabilidade e conforto trazido pela relação com Fleur, a herdeira milionária, humanitária, anjo de misericórdia e lutadora pela paz mundial.


- A relação entre os dois começa agressiva e vai se suavizando a medida que eles se conhecem e que as circunstâncias da investigação os tornam parceiros, apesar da desconfiança mútua. (Chega ao ponto da gente entender manias de cada um. No meu caso, ajudou quando a autora revelou numa passagem rápida dos signos de cada um. James é escorpiano – o que condiz totalmente com o temperamento que é descrito. Holly é virginiana – o que me fez imaginar um mapa astral com influências gritantes de outros signos). É um relacionamento que se desenvolve nos bastidores de uma delegacia, sujeito às consequências de circunstâncias que Holly acredita ter conhecimento, à sabotagem e nas entrelinhas dos textos de Holly, editados pelo chefe, Joe, que começam a insinuar mais do que acontece realmente. E quando as palavras ganham imagem, o público surta cobrando a jornalista por um happy end que envolva a dupla dinâmica e não a prisão do assaltante em série. Acidentes, traições, algumas mentirinhas e uma verdade que se recusa a ser admitida e um casamento iniminente tornam o livro uma aventura maior que desvendar o crime.


- É comédia descarada, com muita cena de pastelão (sim, aquelas que você sabe que vai dar errado diante da mera insinuação da personagem do que pode fazer), muita gente dando pitaco (o público chega ao ponto de odiar uma saia que Holly usou em um dia de trabalho. Sério. Tanta coisa mais importante e é nisso que eles prestam atenção), muitos desencontros e encontros desagradáveis (Deus me livre das Teresas Falsas Santas da vida real) que acontecem paralelamente à trama principal. Como contei no post original, comprei este livro por indicação da Thalita (aliás, se estiver lendo isso, saudades de você, que foi uma das garotas que acompanhou e contribuiu no início do Literatura de Mulherzinha), chorei de rir quando o li há nove anos e agora, com mais experiência jornalística e de vida, ri ainda mais de como as pessoas pensam ser a rotina de uma jornalista e do quão decepcionadas ficariam ao perceber que tem muito mais tensão e estresse que glamour romantizado. E a autora sabe disso ao revelar por que James não gostava de jornalistas – o que acaba se revelando uma crítica a um aspecto comum (infelizmente) da profissão. 


- É um dos meus favoritos por ser um livro divertido, por não ter vergonha de ser bobo quando precisa e por reforçar que, às vezes, a gente não enxerga mesmo o que está debaixo do próprio nariz e só se mete em confusão quando tenta adivinhar os atos alheios e age a partir disso. Mas quem foi que disse que a vida deveria ser um caminho fácil e tranquilo?


- Se achar este livro, nos sebos ou escondido em alguma livraria, compre. Vai te render boas horas de diversão com as trapalhadas de Holly – sem saber – rumo ao amor. Faz parte de um dueto. A outra história, lançada no Brasil como Alta Sociedade, tem como protagonista a irmã de Holly, Clemmie, que só é mencionada aqui. E não, ainda não tenho e estou caçando para ler e ver se o fator destrambelhado é genético nesta família!


Beta Oliveira


Série Colshannon:




  1. Playing James – Um amor de detetive - Holly Colshannon e James Sabine

  2. Society Girls –  Alta Sociedade - Clemmie Colshannon


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5 comentários :

  1. Leticia Ramos de Mello Oliveira17 de julho de 2015 16:19

    O típico "Quando dois não se bicam"! Concordo, mesmo não tendo lido muitos chick-lit, que as jornalistas que são retratadas nesses livros não são próximas da realidade. Há muito trabalho duro por trás de cada matéria e muita pressão, e isso não dá para ser visto ao ler, ouvir ou ver uma matéria na mídia impressa, no rádio, na TV ou na internet. Vou dar um exemplo dos poucos casos que se dá para ver como telespectador, mesmo que esse tenha acontecido na França (Nada como a TV por assinatura para permitir isso!). Marie Drucker, uma apresentadora de telejornais francesa, estava apresentando a transmissão do desfile do Dia da Bastilha desse ano. Ela teve que apresentar um link chamando o tio dela, Michel Drucker, que é um famoso apresentador de programas de variedades franceses, que iria durante a transmissão do desfile pilotar um helicóptero militar. Se ela fosse estabanada como a Holly Colshannon, ela iria ter chamado ele de tio, como qualquer um de nós faria em casa durante uma visita familiar, para todo o mundo ver e passaria a maior vergonha. Mas ela foi profissional e chamou ele simplesmente de Michel o tempo todo, provando também que ela avançou na carreira por conta própria e não por parentesco. Durante a transmissão, ficava até pensando "Caramba, deve ser difícil não dizer que ele é seu tio. Deve ter uma tremenda capacidade de discernimento!"
    Mas como alguém que já lidou com a imprensa antes, já que li no site da Record que ela já foi uma empresaria de uma marca de pipoca, a Sarah Mason deve ter criado uma jornalista atrapalhada só para cumprir com os padrões do Chick-lit.
    E a relação Holly e James é um pouco Castle e Kate, com a diferença de que essa relação não está destinada a ter um final com os dois juntos, pelo menos do ponto de vista do leitor do livro, não da coluna do Bristol Gazzete.
    Aliás, por uma coincidência do destino, a Warner Channel voltou a passar E.R. esse dias, talvez para poder comparar com o plantonista clone do Clooney.

    Um abraço!

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  2. Juro que tentei ler esse livro, mas não deu, passei mais de um mês só no primeiro capítulo. Mas preciso confessar que ri com aquela chamada pra emergência logo no início do livro hahahahahahaha

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  3. Eita, quantos personagens!! Há pra todos os gostos. Geralmente prefiro evitar ler histórias com tantos personagens, prefiro mais as que se concentram no casal protagonista, mas só de imaginar as atrabalhadas da Holly acredito que vale a pena ler esse livro.
    Amei a resenha, e espero que você consiga adquirir Alta Sociedade.
    Bjos!

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  4. Adorei a disposiçao da resenha, ficou bem diferente e rapidinha de ler!! me encantou muito
    Acho que é do tipo de romance cliche que eu me envolvo completamente *----* e que ha um bom tempo eu nao me entrego nesse estilo de leitura. Amei os comentarios sobre o livro e acho q é do estilo que eu vou amar!!
    Ansiosa, beijosss

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  5. Que maneirooooo!!
    Amei, já vou marcar aqui!!
    Amoooo livros policiais, e com humor e divertimentos assim, melhor ainda, com certeza!!
    Só pela sua resenha já da pra ver como é inusitado e viciante!
    bjs

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Feliz dia!!!

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