Resenha: Dois garotos se beijando – David Levithan

25/06/2015

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Dois Garotos se Beijando
David Levithan
Ano: 2015 / Páginas: 224
Idioma: português
Editora: Galera Record




Baseado em fatos reais e em parte narrado por uma geração que morreu em decorrência da Aids, o livro segue os passos de Harry e Craig, dois jovens de 17 anos que estão prestes a participar de um desafio: 32 horas se beijando para figurar no Livro dos Recordes. Enquanto tentam cumprir sua meta — e quebrar alguns tabus —, os dois chamam a atenção de outros jovens que também precisam lidar com questões universais como amor, identidade e a sensação de pertencer.





- Um beijo é apenas um beijo. Mas pode ser tão mais que isso. Pode ser convenção, educação, afeto, traição, necessidade, agressão, protesto, proteção, paixão, amor. Inspirado em fatos e dores reais, “Dois garotos se beijando”, ao abordar o amplo universo dos jovens lidando com a descoberta pessoal e às vezes pública do fato de que gostam de outros homens, David Levithan fala sobre algo além: o ser humano. Ele consegue pegar a gente pela mão e, ao usar um particular – com o qual você não precisa ser ou pertencer para entender (dependendo da capacidade e interesse em se colocar no lugar do outro) –, fala em alto e bom som sobre o universal.


“- Espero que um esteja passando AIDS pro outro – o ouvinte diz para o apresentador da rádio. – Espero que, quando estiverem morrendo de AIDS, também mostrem na internet, pra que as crianças saibam o que acontece se você beijar assim.


O apresentador ri e chama o ouvinte seguinte” (p.145)


- Dois garotos decidem protestar contra a agressão sofrida por Tariq, outro adolescente gay que eles nem eram próximos – mas se identificaram. Para isso, decidem entrar para o Guiness Book com um beijo de 32 horas 12 minutos e 10 segundos e fazendo isso publicamente no pátio da escola onde estudam. Ao mesmo tempo, acompanhamos como o ato afeta direta e indiretamente pessoas ligadas a ele. Começando pelos próprios Craig e Harry, que foram namorados e são amigos que se amam. O quanto você precisa confiar em uma pessoa para se expor desta maneira porque outras pessoas vão ver um momento íntimo tornado público com um propósito. A jornada será longa, desgastante, poderá fortalecê-los, mas antes irá exigir que enfrentem momentos de vulnerabilidade, sofrimento físico e mental, convicções que serão abaladas, abandonadas e reconstruídas.


Você cresce. Sua vida se amplia. E você não pode esperar que só o amor de seu companheiro o preencha. Sempre vai haver espaço para outras coisas, e este espaço não fica vazio, mas é preenchido por outro elemento” (p.200-201)


- Os melhores amigos, que apoiam, os desconhecidos que se identificam com os dois garotos se beijando, aqueles que são contrários e querem deixar isso bem claro, os bullies que não vão perder a chance de tentar estragar o momento. A reação dos pais e irmãos, que podem surpreender – para bem e para mal. A atração que recebem da imprensa e de várias pessoas no mundo, que falam sobre eles, mas não podem ouvir o que os dois têm a dizer porque eles não podem e não querem interromper o beijo antes da meta.


“Mas às vezes, às vezes ela ainda estava lá. A magia que tínhamos criado permanecia. Talvez até crescesse à luz do dia. Porque, se pudesse ser parte de nosso dia, isso significava que podia ser parte de nossas vidas. E, se podia ser parte das nossas vidas, era uma magia que valia muitos riscos e saltos” (p. 53)


- E paralelo ao beijo, várias outras histórias desenrolam. Peter e Neil, adolescentes que já estão em onde um deles ainda busca o conforto de ser aceito por ser quem é. Cooper, que não se entendeu, está na busca, talvez por caminhos mais tortos e, ao cometer uma falha e ser exposto, se depara com uma raiva incontrolável e toma decisões extremas. Ryan, o garoto de cabelo azul, encontra Avery, o menino de cabelo rosa, em um baile e começam o mágico processo dos primeiros encontros.


Vocês nunca vão esquecer como é esta sensação, essa esperança. Sim nós poderíamos falar com vocês por dias sem fim sobre todos os primeiros encontros ruins. Eles são histórias. São histórias engraçadas. Histórias constrangedoras. Histórias que amamos compartilhar, porque, ao compartilhá-las, tiramos alguma coisa da uma ou duas horas que gastamos com a pessoa errada. Mas isso é tudo que os primeiros encontros ruins são: historinhas. São primeiros capítulos. Em um primeiro encontro bom, tudo é primavera. E quando um primeiro encontro bom vira um relacionamento bom, a primavera perdura. Mesmo depois que acaba, ainda pode haver primavera” (p.39)


- Histórias costuradas pelo beijo de dois garotos e pela narração de vozes que sabem e entendem tudo o que eles passaram. Ao contrário de Garoto encontra Garoto, onde ele cria uma realidade onde os diferentes convivem em normalidade, aqui a narrativa é bonita e melancólica por se tratar de um mundo onde isso não é possível. As vozes compreendem a confusão, o sofrimento e cada pequeno momento que se torna uma recordação valiosa. Vozes que foram sacrificadas de forma prematura, brutal e que torcem para que outros vivam o que elas não tiveram chance (o que me lembrou deste livro). Vozes que esperam por um mundo melhor neste milagre que aquece nossas esperanças a que convencionamos chamar de futuro.


E saibam que guardarei as cinco últimas linhas deste livro com afeto. Não vou contar quais são, porque elas fecham toda uma jornada. Com direito a escrever na capa das agendas, espalhar em post-its naquele mural que há séculos prometo montar com fotos e ímãs na parede do quarto, para que sempre possa ler e me lembrar de nunca esquecê-las.


“Vocês não fazem ideia do quanto as coisas podem mudar rápido. Vocês não fazem ideia de como, de repente, os anos podem passar e as vidas podem terminar. A ignorância não traz felicidade. Felicidade é saber o significado total do que recebeu”. (p.17)

Querido David Levithan,


Você não me conhece e eu conheço apenas o que você escreve.
Mas eu amo a forma como você transforma palavras em sentimentos.


Beta, leitora compulsiva e blogueira tiete.


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7 comentários :

  1. Esse livro passa uma mensagens daquelas, e o que Harry e Craig fez só mesmo pra quem tem coragem; quem tiver a oportunidade de ler esse livro não deveria perdê-lá. Pra quem gosta do gênero é uma ótima dica.
    Muito linda a resenha, Beta, emocionante! Meus parabéns!
    Bjos!

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  2. Estou doida pra ler esse livro, curto muito a escrita do David Levithan e cada resenha que leio dele me deixa ainda mais ansiosa em conferi essa história.

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  3. Amo Levithan e seus livros são assim, apaixonantes. Não dei muita bola pro livro, no início, pq achei a premissa boba... o livro ficou meses intocado na minha estante. O que me incomodou foram os vários personagens, mas vc se acostuma quando a vida de cada casal é detalhada.

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  4. Danielle Demarchi29 de junho de 2015 11:30

    Pelos que quotes que estão na resenha é possível perceber que a história aborda várias questões importantes e mostra um pouco do preconceito que os personagens enfrentam durante a trama, remetendo assim à realidade, ao preconceito tão presente entre nós.
    Os protagonistas parecem ser dois jovens corajosos, dispostos a enfrentar o preconceito e a incentivar outros a fazerem o mesmo. E a atitude deles parece gerar diversas reações nas pessoas, o que também é muito interessante.
    Ainda não li nenhum livro do autor, mas essa resenha com certeza me deixou animada para ler "Dois garotos se beijando" e fez com que eu torcesse pela felicidade dos protagonistas desde já. :)

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  5. Do David Levithan só li Garoto encontra garoto e amei!! Tão puro, simples, meigo, superfofo!!!!
    Quero muito ler Todo dia, Will e Will, Nick e Norah, e Dois garotos se beijando, ah, acho que Invisível é dele também, bom,, quero ler todos dele! rs
    Esse e Todo dia foram os que mais me chamaram a atenção. A proposta e as resenhas são positivas, e ele parece ser um livro muito real, de uma forma simples, busca a compreensão e respeito merecidos POR TODOS. Independentemente de sua sexualidade. Achei essa ideia incrível. Quero muito ler, acho que valerá a pena rever nossos conceitos.
    bjs

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  6. Eu sou apaixonada por David Levithan, ele tem uma sinceridade na hora de escrever que é muito difícil de encontrarmos em outros autores. Esse livro, como todos os dele, me passa uma tranquilidade e delicadeza, mesmo tratando de um tema que é tabu dentro da nossa sociedade. Tenho muita vontade de ler, principalmente por a história é baseada em fatos reais.

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  7. Eu amei sua resenha, me fez realmente voltar atrás e relembrar os fatos que eu tinha lido. Adorei!
    A propósito, tenho uma história no Wattpad com essa temática também... acho a abordagem desse tema super pertinente! ^.^ Mais atual não há, então parabéns ^.~

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Oi gente, o blog ganhou um layout novo e como eu migrei do wordpress para o blogger, os posts antigos estão muito bagunçados. Toda mudança gera uma bagunça e não seria diferente por aqui.
Irei arrumando os posts sempre que eu tiver um tempinho, conto com sua compreensão.

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