Resenha: As Batidas Perdidas do Coração - Bianca Briones

14/06/2015

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As Batidas Perdidas do Coração
Batidas Perdidas # 01
Bianca Briones
Ano: 2014 / Páginas: 406
Idioma: português
Editora: Verus




Viviane acaba de perder o pai. Com a mãe em depressão, ela se vê obrigada a assumir o controle da casa com o irmão mais novo. Rafael teve o pai assassinado há alguns anos e agora viu quatro pessoas de sua família, incluindo a única irmã, morrerem em um acidente de carro.


Viviane pertence a uma classe social que ele despreza. Rafael é tudo o que ela sempre ouviu que deveria evitar. Eles são opostos, porém dividem a mesma dor. Jamais se aproximariam se a morte não os colocasse frente a frente, e agora, por mais que saibam que são completamente errados um para o outro, não conseguem evitar uma intensa conexão, que poderá salvá-los ou condená-los para sempre.


As batidas perdidas do coração é uma história sobre perdas e como cada um lida com elas. É o encontro atormentado entre a dor e o amor. Com uma narrativa sexy, envolvente e repleta de música, este livro traz a última tentativa de duas pessoas arruinadas que, juntas, buscam desesperadamente se encontrar.






- Já viu que pelo resumo acima que não será uma jornada fácil para nenhum dos envolvidos, né? Como é dito várias vezes ao longo do livro e inclusive é tema de uma reflexão de Viviane, eles são totalmente inadequados um para o outro. Por toda a dor que sentiam e por todas as diferenças de vida existentes entre eles. E se for um (a) leitor (a) do mesmo tipo que eu, ou seja, dependendo do momento da vida, extremamente “esponja”, também não será fácil para você. Acabou se tornando uma leitura exigente, desgastante e, de certa forma, exaustiva.


- Vou falar do que eu gostei: gostei de perceber que a autora escreve bem. Porque ela conseguiu prender minha atenção e me fazer insistir mesmo quando outras coisas quase me fizeram largar o livro. Já passei por outros livros onde o jeito da autora escrever, somado a uma trama que não me agradou, renderam ou o abandono do livro ou, desde o Literatura de Mulherzinha, em posts malcriados por aqui. Então, posso dizer sem medo: a autora sabe ouvir os personagens e transmitir o que eles querem contar. Ah, amei também a maior parte das constantes referências musicais, seja nas frases que abriam os capítulos; nas músicas citadas em determinados trechos, sempre com função clara na história e em cantores e bandas mencionadas.


- Agora vou contar do que eu, pessoalmente, não gostei. Quero que vocês entendam isso: leitura é uma experiência extremamente pessoal. Pode ser que um livro não funcione em determinado momento e, em outro período da vida, ele seja totalmente pertinente. Começando pelo óbvio: tenho sérias ressalvas com os personagens estilo bad boy, que entraram em voga com o sucesso do Travis, de Belo Desastre e Desastre Iminente (sim, sei que tem o Belo Casamento, mas a gente vê muito mais da personalidade dele nos dois livros). E quem leu meus comentários sobre os dois livros notou que eu deixei claro que “ele não é para mim”. Em vários momentos, o Rafael me fez ter deja vu do Travis, mesmo que por atitudes diferentes em caminhos semelhantes: o fato de ser pegador, não gostar de repetir garota e de se assumir “como um perigo para ela”, mas não ter como fugir disso; apesar de que os fatores que desencadeiam o sofrimento de Travis são light perto do que acontece com Rafael e, por tabela, com todos com quem ele se relaciona, incluindo Viviane.


- No terço inicial, o livro me remeteu a uma fala do Batman, de 1989: “Tell me something, my friend... You ever dance with the Devil by the pale moonlight?” Porque os personagens desta história, principalmente os protagonistas foram ao inferno, mas sem previsão de retornar. O livro começa com uma perda, com impacto enorme, para os dois. A partir daí, começamos a acompanhar a jornada de ambos, desde o encontro, o reencontro, a atração, as escolhas que são obrigados a fazer, a repressão que sofrem, as decisões que precisam tomar e assumir as consequências. Ok, pela sinopse, a gente poderia prever isso.


- O que eu não poderia prever é que o livro fosse manter esta toada até o fim. Da metade para a frente, há acontecimentos que complicam ainda mais o relacionamento deles. É uma sequência de desgraças, que leva a um desdobramento que fica a um tiquinho da tragédia completa. Senti falta de momentos de verdadeira felicidade entre eles, porque mesmo os momentos felizes tinham um “e se/quando der errado, o que será de mim?” pairando ali. E o Rafael é arrasado. Já vi personagem ser destruído pelas porradas que leva – a Gena Showalter não tem a menor pena dos Senhores do Mundo Subterrâneo, mas ela puxa o freio das desgraças em vários momentos, para dar um momento para a gente e eles possam respirar. Na minha opinião de pessoa que é incompatível com livro onde tudo dá errado em overdose para os personagens (adivinhem por que não leio e não pretendo ler Nicholas Sparks?), faltou um freio no livro. Sério. É desesperadamente excessivo. Não precisava de tanta coisa ruim arrebentando os personagens. Posso resumir assim parte da reta final do livro: “Piora!”.
“Piora mais!”
“Piora muito mais!”
“Piora sem limites!”
“... (sem definição do quanto pior está)”.
Exatamente, praticamente você entrando sozinho e desarmado em uma convenção de dementadores. Não terminei feliz por eles, terminei aliviada por ter acabado e não correr mais o risco de virar a página e topar com outra desgraça. Sim, eu sei que a vida não é um mar de rosas e fofa com todos, mas eu já lido com a realidade nua e crua todos os dias (e posso garantir, sim, muitas pessoas têm motivos pra chorar de ponta a ponta na vida) e na hora de ler busco por um pouco de paz. Não tive aqui.



- Não foi livro para mim. Mas pode ser para você, se você gosta do bad boy, da heroína capaz de superar o próprio sofrimento para salvar uma alma torturada e mais perdida que a dela, de uma sucessão de tragédias até não sobrar nada e que tenta ficar junto mesmo quando tudo indica que seria muito melhor e mais fácil para eles ficarem separados. Viviane intuiu que era cilada e comprou a briga até quando foi possível. Até quando coube a Rafael lutar por ele e por eles.


- Para a Bianca, meu total respeito por conseguir um espaço para publicar a história. E um desafio: espero que, na próxima, o invés das coisas ruins, invista no que de bom pode acontecer a partir de um relacionamento. Se a descida aos infernos rendeu uma história intensa, imagina só quando encontrar aqueles que querem te contar o que pode acontecer no caminho contrário, o da subida aos céus?!


Beta Oliveira



Batidas perdidas
1. As batidas perdidas do coração
2. O descompasso infinito do coração


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5 comentários :

  1. Como gosto de música, também acho as referências musicais no livro ponto positivo, mas acredito que nem mesmo isso compensa a leitura desgastante e exaustiva... Também acho que a autora deveria saber colocar freio nas desgraças dos personagens... É, acredito que esse livro não é pra mim!
    Bjos!

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  2. Adorei a resenha. Confessar que não tava dando muita bola para esse livro, mas agora fiquei com uma baita vontade de lê-lo.

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  3. Capa pra mim é fundamental. Um título legal nem se fala. Eu ainda não li nada da autora, mas estou sempre lendo resenhas, positivas são unanimes, e já deu pra perceber que o texto tem qualidade. Ele está na minha lista de desejados e espero lê-lo em breve ^^

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  4. To looooooouca para ler essa série!!!!
    As capas são lindas demais! E as histórias fascinantes!!
    NE-CES-SI-TO!!!!!
    Não vejo a hora de ler os dois lançados!!!
    Parece ser fantástico, envolvente, sensível.
    bjos

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  5. A capa desse livro é maravilhosa, e depois de todas as resenhas positivas que li sobre o livro é impossível não ficar curiosa com ele, apesar de a premissa não ser a mais original que eu já vi por aí, principalmente nesse gênero. Mesmo assim acho que vale a pena dar uma chance à leitura

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Oi gente, o blog ganhou um layout novo e como eu migrei do wordpress para o blogger, os posts antigos estão muito bagunçados. Toda mudança gera uma bagunça e não seria diferente por aqui.
Irei arrumando os posts sempre que eu tiver um tempinho, conto com sua compreensão.

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