Resenha: Uma história de amor e TOC - Corey Ann Haydu

30/04/2015

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Uma História de Amor e TOC
Corey Ann Haydu
Ano: 2015 / Páginas: 320
Idioma: português
Editora: Galera Record




Bea foi diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo. De uns tempos pra cá, desenvolveu algumas manias que podem se tornar bem graves quando se trata de... garotos! Ela jura que está melhorando, que está tudo sob controle. Até começar a se apaixonar por Beck, um menino que também tem TOC. Enquanto ele lava as mãos oito vezes depois de beijá-la, ela persegue outro cara nos intervalos dos encontros. Mas eles sabem que são a única esperança um do outro. Afinal, se existem tantos casais complicados por aí, por que as coisas não dariam certo para um casal obsessivo-compulsivo? No fundo, esta é só mais uma história de amor... e TOC.



Transtorno-obsessivo compulsivo. Só o nome assusta. Afinal de contas reúne três palavras, que isoladas, não soam de forma positiva. Juntas, causam verdadeiro inferno na vida de uma pessoa. Sabe lá o que é ser refém da própria mente?


Comentários:


- Se a intenção da autora era dar uma ideia do quanto alguém com TOC sofre, conseguiu. Há vários momentos em que entendemos e sofremos junto a agonia dos personagens durante as crises onde se eles não fizessem determinada ação tinham certeza de que algo ruim aconteceria com eles ou, pior, com outras pessoas. É desesperador. Não vou conseguir descrever a sensação, por isso, nem vou tentar. Claro que muitas pessoas têm manias. Algumas têm cismas – por exemplo, eu não uso uma determinada cor no trabalho porque ela me traz más lembranças. Outros têm superstições – embora devo dizer que não passo embaixo de escada não por superstição, mas por lógica: vai que quem ou o que está no alto caia?


- “Podemos ser loucos, mas existe uma lógica por trás até mesmo das coisas mais malucas que fazemos”. Esta frase que está na contracapa é justificada ao longo da trama. A autora, primeiro, apresenta as consequências, os problemas, os sintomas e deixa as revelações para a reta final das causas. Porque, quem fez terapia sabe isso, é necessário que a pessoa admita que precisa de ajuda e identifique quais são os pontos que causam os problemas. Agora me diga: quem chega por aí, de boa, dizendo que identificou o problema e precisa de ajuda? Para chegar neste estágio é um processo que requer tempo, requer vontade de mexer com coisas que vão doer. Porque dói. Sempre dói. Em alguns casos, justamente por temer esta dor, a pessoa foge do confronto. No entanto, não dá para fugir para sempre.


- Percebemos todo este processo nas histórias narradas no livro. O momento da recusa em assumir o problema – porque ainda paira por aí o estereótipo de quem faz terapia é louco. Não é. É uma pessoa que buscou um olhar neutro e especializado para ajudar a se entender e entender o que está acontecendo com a vida. Por diferentes razões, os personagens deste livro sofrem as consequências de uma ansiedade que passa a controlar a vida deles de uma forma nada sadia. Para lidar com elas, assumem padrões de comportamento que lhes trazem conforto, mesmo que seja momentâneo. Mas isso não resolve. É necessário mexer fundo e onde dói, para quebrar o ciclo e vislumbrar uma vida livre desta prisão imposta pela mente. Ao longo do livro percebemos as escolhas que os personagens fazem, os progressos, as recaídas, as falhas. Na reta final há um momento que eu achei muito triste, mas foi necessário. Não tem um texto que passeia pela internet dizendo que milho que não passa pelo fogo não vira pipoca? Então... há horas que  a gente tem que dar uma de fênix, renascendo dos nossos próprios infernos pessoais.


- Não sei se será uma leitura confortável para você, para mim não foi. A autora tomou o cuidado de não fazer graça de nada – ainda mais porque, para quem sofre ou conhece alguém que sofre, não tem graça nenhuma. Ajuda a entender como muitas vezes nós somos nosso pior inimigo. Ser julgado não ajuda. Receber apoio sim. Mesmo que esse apoio requeira confrontar e admitir fraquezas, enfrentar a dor. Não será fácil. Mas compensa. Estar em paz consigo mesmo sempre compensa.


- Acabei não falando muito sobre o livro, desculpa. Acho melhor que vocês leiam e tirem suas conclusões sobre a jornada de Bea e como ela pode ajudar ou não – e ser ajudada ou não por – Beck.


- Links: Goodreads autora e livro; site oficial; site da editora; entrevista com a autora. Para quem quiser outras informações, pesquisei sobre TOC na internet e estes links me pareceram os mais confiáveis: UFRGS e Dráuzio Varella. Embora, claro, um especialista de confiança é sempre melhor caminho que o “dr. Site de busca” da vida...


Beta Oliveira



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5 comentários :

  1. ELIZABETH MACHADO SALLES30 de abril de 2015 09:50

    A história parece ter um tom sério demais. Mas também pelo tema que é só poderia ser desse jeito. Não é nada fácil sofrer disso. Achei a história interessante e vou tentar ler. Pois o assunto me despertou bastante curiosidade e quero saber mais sobre ele.
    Beijos.

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  2. Leticia Ramos de Mello Oliveira30 de abril de 2015 15:26

    Eu, quando li a sinopse, me lembrei da série Monk, em que o protagonista passa a ter TOC após a perda da esposa e até achei que haveria uma certa graça, mesmo sabendo que o problema é sério, como há na série. Mas agora vi que não, que a autora foi sensível com quem tem toque, pois é uma coisa difícil de se lidar e nem sempre a piada ajuda nesses casos, pois pode ofender.
    Por fim, acho que a explicação da Beta para o porque ela não passa debaixo de escadas talvez também seja a origem da superstição: Afinal, vocês consideram uma coisa ou alguém caindo sobre a cabeça de vocês como azar?

    Um abraço!

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  3. Nossa, essa doença é horrível! Quando adolescente desenvolvi uma pequena dose dela, um exemplo: após fechar uma porta ou uma janela tinha que conferir se ela estava mesmo fechada umas 3 a 5 vezes. Ainda bem que isso foi apenas uma fase!!
    É um tema sério e a autora soube retratar com a seriedade merecida.
    Bjos!

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  4. O título aparenta ser de uma história séria, tensa, a sinopse já achei bem humorada, mas fiquei confusa em algumas passagens. Tenho TOC, mas sempre acho que o dos outros é pior hahahahahaha

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  5. Estou doida pra ler esse livro, parece ser super emocionante, que tem TOC sofre muito e cada resenha que leio dele me deixa ainda mais ansiosa em conferi essa história.

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Feliz dia!!!

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