Resenha: Sua última duquesa – Gabrielle Kimm

22/04/2015

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Sua Última Duquesa
Gabrielle Kimm
Ano: 2015 / Páginas: 350
Idioma: português
Editora: Record




Seduzida pelo sol ardente e pelas paixões ofuscantes da Itália Renascentista, a jovem Lucrécia de Medici, de 16 anos, vê uma vida dourada estendendo-se à sua frente. Seu marido muito rico escolheu-a como esposa, e o grande castelo dele em Ferrara vai ser o seu playground. Mas Alfonso d’Este, Duque de Ferrara, rapidamente se mostra tão perigoso e misterioso quanto é moreno e bonito, e as paredes de pedra do castelo parecem fechar-se em volta de Lucrécia como os muros de uma prisão. Apenas a amante do duque, Francesca, parece capaz de domar sua fúria crescente, enquanto sua necessidade desesperada de produzir um herdeiro o faz cair numa obsessão delirante. Com a cabeça cheia de sonhos desfeitos, Lucrécia foge dele por um caminho perigoso que pode lhe custar muito caro.



Comentários:


- Posso ter sido traída pela minha memória, mas creio que li algo sobre o casamento de Lucrécia e Alfonso no livro A vida secreta de Mona Lisa. De qualquer forma, a autora parte de um fato real: os dois personagens existiram mesmo e Lucrecia desapareceu dos registros poucos anos depois de se casar com o Duque de Ferrara. Vários autores consultados por Gabrielle Kimm na pesquisa não foram capazes de concluir o que realmente aconteceu com ela. E a autora, que teve a curiosidade despertada por um poema, inspirado por um quadro, resolveu contar a versão que imaginou para a vida de Lucrécia.


- Para os que não sabem, na época, 1559-1561 não havia Itália como nós a conhecemos atualmente. Eram várias cidades-estados que se uniam e se separavam em alianças conforme a conveniência. Também conforme a conveniência essas famílias se uniam através do matrimônio, oferecendo aos nobres suas filhas bem nascidas como esposas para que a próxima geração os mantivesse no poder, ricos e com “DNA de grife” (na falta de um termo melhor). As cidades eram independentes, mas desconfiadas umas das outras. No caso do livro, Roma (na época, os Estados Papais) é a sombra sobre Ferrara, ameaçando lutar pelo trono caso Alfonso não tenha herdeiros.


- Alfonso estava apaixonado por um ideal de perfeição que achou que poderia alcançar com Lucrécia. As 16 anos, ela saiu da vida de família rica para assumir um papel de duquesa, mas sofreu com o controle do marido. Ele a achava inconsciente do papel que deveria representar, limitava as ações dela e à medida que o casamento degringolava, Alfonso se tornou paranoico e agressivo de que as pessoas soubessem de sua fraqueza. E era um bloqueio que o irritava, porque o que ele não conseguia com a esposa, tinha com a amante. No entanto, ela não poderia dar a ele o herdeiro oficial de que ele tanto precisava para garantir a manutenção da família no poder e sossegar as pretensões de Roma.


- Para completar, ainda temos a visita de fra Pandolf, um franciscano que era um artista reconhecido. Ele chega a Ferrara com seus ajudantes, especialmente Jacomo e Tomaso, para realizar um afresco encomendado que representa a passagem mitológica dos Argonautas. Acompanhamos o processo dos artistas – você sabe como é pintado um afresco? É a sua chance de aprender – e os truques e provocações usados pelos artistas. E como realmente uma obra de arte pode passar mensagens além da óbvia, basta que você tenha conhecimento amplo.


- Dá angústia, dá desespero, dá pena, dá horror do ponto a que as pessoas chegam por causa da ambição desmedida pelo poder e quando se sentem pressionadas com medo de perdê-lo. Ao mesmo tempo, a autora mostra o quanto uma decisão infeliz pode acabar em algo ruim. E como destinos se cruzam sem as pessoas perceberem. É uma história sobre o amor ao poder, ao status quo, à família, aos amigos e sobre o estrago que a falta dele faz. Não esperava tanto peso. Mas nem sempre a vida é fácil, né? Mesmo quando se trata da versão de uma vida instigada a partir da curiosidade despertada por um poema.


- Links: Goodreads autora e livro; site da autora; review do livro; livros sobre Itália no Literatura de Mulherzinha.


Beta Oliveira


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3 comentários :

  1. ELIZABETH MACHADO SALLES22 de abril de 2015 08:56

    Fiquei encantada com seu relato desta história. Já havia lido algo a respeito disso mas deixei passar com o tempo. Mas agora lendo a sinopse e a resenha, fiquei empolgadíssima. Espero conseguir este livro,pois a história é realmente incrível. Estou abobalhada com seus comentários sobre a personagem. Coitada dela. O que ela não deve ter passado.
    Beijos.

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  2. Oi,
    Confesso que não gostei da sinopse desse livro, não faz meu estilo de leitura. Mas achei interessante a idéia da autora escrever a história através de um poema, muito talentosa ela.
    Bjos!

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  3. Posso falar que não gosto de poemas? São floreios demais e acho isso maçante.
    Mas é inegável o talento de alguém que posso escreve algo a partir de um poema.

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