Resenha: O Sétimo Filho – Joseph Delaney

08/04/2015

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O Sétimo Filho
Joseph Delaney
Ano: 2015 / Páginas: 512
Idioma: português
Editora: Bertrand Brasil




Em um mundo dividido entre luz e trevas, John Gregory, o Caça-Feitiço, é o sétimo filho de um sétimo filho e mantém uma cidade do século XVIII relativamente bem e longe dos maus espíritos. No entanto, ele não é mais jovem e suas tentativas de treinar um sucessor foram todas mal sucedidas - os pouquíssimos que terminaram o aprendizado são medíocres ou fracos ou covardes, e não se igualam a ele. Sua última esperança é um menino chamado Thomas Ward, também sétimo filho de um sétimo filho. De alguma forma, Thomas terá de aprender a exorcizar fantasmas, deter feiticeiras e amansar ogros que surgem sempre que o sol se põe. Seu primeiro desafio será grande - ele terá de enfrentar a Mãe Malkin, a mais terrível e poderosa feiticeira do Condado. O Sétimo Filho reúne os dois primeiros volumes da série 'As Aventuras do Caça-Feitiço' - 'O Aprendiz' e 'A Maldição'.



- Fiz um resumo que engloba os dois livros que fazem parte desta edição especial com a capa do pôster do filme, O Aprendiz e A Maldição. Não sei quanto do livro está no filme porque não o assisti, no entanto, uma diferença é óbvia: nas duas aventuras do início de jornada, Tom é um garoto de 13 anos recém-completados. O filme optou por um Tom mais velho, mais quase adulto. Pelo que vi em matérias sobre o lançamento, desconfio de outras alterações, mas não serei leviana de comentar antes de ver o filme. (Caso alguém queira comentar, só peço o cuidado de não dar spoilers nem do livro nem do filme. Assim a gente não estraga experiência de ninguém).


- No primeiro livro, O Aprendiz, Tom é apresentado ao seu destino: aprender a ser um Caça-Feitiço, homens que acumulavam conhecimento para lidar com aquilo que causava temor nos outros. Fantasmas, ogros, feiticeiras estão entre algumas das criaturas que, ao causarem danos às pessoas, devem ser detidas. Aprende a identificá-las, a entender qual grau de periculosidade possuem e a como dar conta delas. O mestre o orienta, o faz trabalhar incansavelmente por saber que, neste tipo de função, qualquer espaço para erro pode ser fatal.


“Somos os sétimos filhos de sétimos filhos, e temos o dom de ver coisas que os outros não podem ver. Mas esse dom, de vez em quando, pode se tornar uma maldição. Se tivermos medo, às vezes poderão aparecer coisas que se alimentam desse medo. O medo piora tudo para nós. O truque é nos concentrarmos no que vemos e pararmos de pensar em nós mesmos. Sempre resolve” (p.25)


- Mesmo assim, nos rompantes típicos de adolescência, agravados por uma intuição muito forte, Tom rompe algumas das orientações que recebe do mestre. Uma delas envolve o “não confie nas mulheres. Ou pelo menos, aprenda a identificar em qual pode confiar”. Ao fazer uma promessa para Alice, desencadeia uma série de consequências que vão testar seus conhecimentos recém-adquiridos, além de colocar a si mesmo e quem ele ama em risco.


“Desci as escadas e me sentei aqui no escuro. Depois inspirei três vezes profundamente e enfrentei meu medo. Enfrentei a própria escuridão, que é o mais apavorante, principalmente para gente como nós, porque as coisas vêm a nós no escuro. Elas nos procuram aos sussurros e assumem formas que somente nossos olhos conseguem perceber. Mas foi o que fiz, e quando deixei o porão, o pior tinha passado” (p.45)


- No segundo livro, “A maldição”, seis meses depois, Tom já adquiriu alguma experiência e começa a enfrentar desafios maiores. Acaba ficando responsável por uma grande missão, cujos desdobramentos vão levá-lo a descobrir e ter que lidar com histórias do passado do mestre e da própria família. Desta vez, eles viajam para Priestown, uma cidade corrompida pela ambição e busca pelo poder desmedido. Onde a fé é usada como forma de coação e imposição da vontade e ganância de poucos.


“Duas ou três vezes na vida estive em apuros tão sérios que nunca pensei em sair deles ileso. Enfrentei as trevas e quase me resignei com a morte, embora apenas em parte. Então, quando tudo pareceu perdido, ganhei novo alento. Tenho apenas uma ideia de onde terá vindo. Mas com aquela força sobreveio em mim um novo sentimento. Que alguém ou alguma coisa estava do meu lado. Que eu não estava mais sozinho” (p.264)


- Anos antes, o Caça-Feitiço não conseguiu destruir uma força que está detida nos subsolos da cidade. Agora, cada vez mais forte, o inimigo estava à espreita, fomentando o terror, descobrindo e instigando o pior nas pessoas que deveriam guiar a população pelo caminho do bem. Traições, ganância, intrigas vão acompanhar a jornada do Caça-Feitiços e do Aprendiz. Uma reviravolta agrava a situação que descamba para uma série de ameaças constantes à vida e descambando em um confronto onde só cabe a destruição da força do mal, mesmo que seja a custa de sacrifícios.


“Não acredito no Deus de que nos falam na igreja – disse-me. – Não acredito em um velho de barbas brancas. Contudo, há alguém observando o que fazemos e, se levarmos uma vida correta, ele estará ao nosso llado e nos dará força nas horas de necessidade. É nisso que acredito” (p.264)


- É a jornada do herói que podemos perceber em outras histórias e filmes. Inexperiente, recebe orientação de um mestre. Comete erros que contribuem para o aprendizado: seja por desconhecimento, impulsividade ou descumprimento das normas estabelecidas. No entanto, à medida que progride no conhecimento, aumenta o grau do perigo a ser enfrentado. O livro é bem escrito, as criaturas que eles enfrentam são sempre mostradas como ameaças claras, seja à ordem preestabelecida ou à vida deles. Não existem soluções fáceis nem atitudes “100% perfeitas”. É narrado em primeira pessoa, porque estamos lendo o diário do Thomas J. Ward, sabemos os medos, desconfianças, inseguranças, sofrimentos dele. Entendemos que sim, ele nasceu para ser Caça-Feitiços, mas é uma função que, embora necessária, não é vista com bons olhos, seja por estranhos ou pior, pelos próprios parentes. Para quem gosta deste tipo de história, é um prato cheio. Eu confesso que tive uma ou outra dificuldade, mais pela minha forma de lidar com tramas assim, que por algum “defeito” do livro. No entanto, todos vocês sabem a norma que sigo: na dúvida, experimentem e tirem suas conclusões.


Por Beta Oliveira


Série “As Aventuras do Caça-Feitiço”(The Last Apprentice/ Wardstone Chronicles)


0.5 - The Last Apprentice
1 - Revenge of the Witch - O aprendiz
2 - Curse of the Bane - A maldição
* The Last Apprendice - Seventh Son (livros 1 e 2)
3 - Night of the Soul Stealer - O segredo
4 - Attack of the Fiend - A Batalha
5 - The Spook's Mistake - O Erro
6 - The Spook's Sacrifice - O sacrifício
7 - Rise of the Huntress - O pesadelo
8 - Rage of the Fallen - O destino
No Goodreads ainda são listadas os seguintes livros:
9 - I am Grimalkin
10 - The Spook's Blood
11 - Slither
12 - I am Alice
13 - The Spook's Revenge


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6 comentários :

  1. Também ainda não assisti ao filme, e não conhecia essa série.
    Achei estranha essa mudança de idade que fizeram com o protagonista no filme, e espero que não tenham feito tantas mudanças mais. O resumo que você fez dos dois livros ficou muito bom, deu perfeitamente pra entender o universo da série... O que achei interessante foi saber que o protagonista comete falhas, não é aquele herói 100% perfeito, e de suas falhas ele ganha o aprendizado, bacana isso.

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  2. ELIZABETH MACHADO SALLES9 de abril de 2015 07:29

    Assisti o filme e até achei maneiro, mas achei que faltou algo mais no filme. Não foi ruim. Mas... Agora espero que no livro a história seja mais completa e emocionante. Não sabia que teria tantos livros assim. Essa série é bem longa. Rsrsrs Vou tentar ler e espero que a série não se perca no caminho. Detestaria me decepcionar.
    Beijos.

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  3. Não me interessei em ler os livros mas fiquei afim de assistir ao filme. Difícil isso acontecer comigo rs.
    Bjo

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  4. Eu vou me contentar com o filme mesmo, não me interessei tanto pela história.
    bjo

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  5. Tô muito a fim das adaptações pq só de olhar pra essa lista interminável de livros já cansei e curti as mudança de idade, como no caso de Pierce Jackson.

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  6. Leticia Ramos de Mello Oliveira30 de abril de 2015 16:51

    Em Hollywood é mesmo assim: sempre preferem envelhecer os personagens adolescentes ou chamar atores mais velhos para isso (um pouco de maquiagem e você já é jovem). Aliás, acho que o filme une esse dois livros, por isso a união deles em um único volume para a edição com a capa com o poster do filme, já que pelo que vejo na lista, também fizeram isso nos EUA. O problema é quantos detalhes foram cortados para que esse filme fosse feito sem que ele durasse 6 horas e com todo mundo dormindo no fim.
    O Joseph aproveita a trama de A maldição para criticar o uso da religião pelas pessoas como forma de dominação de massas e não como uma crença que nos torna melhores e a corrupção política em todo o mundo, atribuindo a ela um papel de um monstro que muda as intenções das pessoas.

    Um abraço!

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