Resenha: Homens, mulheres & filhos – Chad Kultgen

18/03/2015

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Homens, Mulheres & Filhos
Chad Kultgen
Ano: 2014 / Páginas: 351
Idioma: português
Editora: Record




Homens, mulheres & filhos é a melhor obra de ficção já escrita sobre a sexualidade de adolescentes e adultos em tempos de Internet. O autor cria uma rede de personagens que levam vidas comuns e aparentemente normais, mas, no fundo, repletas de neuroses, fraquezas, pudores, perversões, inseguranças, ingenuidades, e cujo comportamento é influenciado diretamente pela mídia e pelo mundo virtual.


O filho obcecado por videogames, a adolescente com mania de magreza, a mãe superprotetora, a filha rebelde, o jovem deprimido, a esposa que não se sente mais desejada, o marido que foi abandonado pela mulher, o pai viciado em pornografia on-line neste livro fantástico existe um personagem para cada um de nós.


Homens, mulheres & filhos abre uma janela para mostrar, de um jeito direto, honesto, às vezes trágico, algumas vezes cômico, como funciona a cultura emocionalmente traiçoeira em que vivemos. Um livro extremamente bem escrito que vai entreter o leitor e, ao mesmo tempo, fazê-lo pensar.


Homens, mulheres & filhos foi adaptado para o cinema. O filme foi dirigido pelo aclamado Jason Reitman e estrelado por Adam Sandler, Jennifer Garner, Emma Thompson, Judy Greer e Ansel Elgort (o jovem ator que interpretou o personagem Gus no filme A culpa é das estrelas).


Homens, mulheres & filhos é um retrato sem paralelo da política sexual na era das redes sociais. Ele me faz lembrar do primeiro contato que tive com filmes como A primeira noite de um homem e Beleza americana. Jason Reitman, diretor de Juno e Amor sem escalas.


Este livro mostra a solidão em um mundo no qual mensagens de texto no Facebook e chats on-line são considerados formas íntimas de comunicação. New York Times



- Foi erro meu. Admito. Imaginei que seria totalmente diferente (em parte porque estou querendo coisas que me levem para a convenção dos Ursinhos Carinhosos e do Meu Querido Pônei, ou seja, fofas, suaves e que despertem a vontade de fazer aquele “awwwwwww”). Óbvio que o livro não tem culpa das minhas expectativas. O estilo é seco e direto. Os personagens estão longe de serem agradáveis, porque o autor expõe aquilo que geralmente não mostram por trás de uma fachada de família feliz, jovens saudáveis, casais amorosos. Quando a gente tira a cera percebe que, por trás do sorriso se escondem, inseguranças, preconceitos, competitividade inútil, inveja, desejos frustrados, cinzas de um relacionamento.


- Temos a família Truby, onde não há mais desejo entre Don e Rachel, que os leva a buscar fora o que deveriam ter um com o outro. E o filho Chris, jogador de futebol americano, cuja curiosidade por sexo o leva a pesquisar na internet. Temos os Mooney, Kent, pai e Tim, filho, lidando com a família desfeita após a esposa/mãe abandoná-los por outro relacionamento longe dali e reagindo como acham melhor em uma situação tão ruim: pai mergulhado em si mesmo, filho largando atividades sociais, apesar de ser o astro do futebol americano da escola, e mergulhando no World of Warcraft. A jovem Allison Doss encontra em dietas radicais o caminho para se tornar uma garota atraente aos olhos dos garotos que a menosprezavam e a rotularam de gorda e para se tornar uma magra feliz aos próprios olhos, que nunca estão satisfeitos com o que veem. Já Dawn Clint encontrou na beleza precoce da filha, Hannah, uma forma de buscar distinção e fortuna, muitas vezes, transcendendo alguns limites. Enquanto isso, Brandy Beltmeyer tenta encontrar alternativas à superproteção da mãe, Patricia, que faz vistorias em todas as contas da garota na internet, excluindo pessoas e impedindo contatos com a filha alegando que a protege dos perigos online, obrigando-a a criar um perfil alternativo para poder se expressar e interagir. O técnico Quinn que desconta no time de futebol americano as frustrações e fracassos da vida pessoal, exigindo dos garotos algo que não é da competência deles. E o casal perfeito, Danny Vance, outro integrante do time de futebol americano, e a líder de torcida, Brooke Denton, às voltas com a “obrigação” de terem a primeira relação sexual porque se conhecem desde sempre e estão juntos desde sempre, então não podem ficar para trás diante e perante dos colegas, mesmo que não estejam preparados para isso.


- A forma como todos lidam com o sexo é o fio condutor da narrativa – interligando ou cortando as relações entre eles, com as revelações e omissões que complicam os relacionamentos. Há quem não se ame, mas ainda está junto. Há quem sofra por ter sido chutado. Há quem usa o sexo como forma de distinção. Há a competitividade entre os adolescentes usando o sexo para chocar os amigos, se distinguir entre eles, enquanto descobrem do que podem gostar mesmo sem ter experimentado ainda. São laços não muito sólidos que regem alguns destes relacionamentos, por isso, grandes chances de nada terminar como eles gostariam. Atitudes extremas e sofrimentos não estão descartados, na verdade, pairam sobre a jornada dos personagens, apenas esperando a hora de entrar em ação.


- Pegue o mundo cor de rosa e o desbote até ficar de tons mais escuros, com lampejos passionais. Não se espante se tudo acabar nos extremos, seja preto ou branco e se você tiver a sensação de vazio. Como bem detalha a citação de Carl Sagan no início, tem uma coisa da qual a gente não consegue fugir...


“Nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica que nos cerca. Em nossa humilde condição, em toda esta vastidão, não há qualquer indício de que alguma ajuda virá de outro lugar para nos salvar de nós mesmos”.


Por Beta Oliveira



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3 comentários :

  1. Eu assisti ao filme e gostei, quero conferir o livro mas não no momento.
    No filme as história foram mais superficial do que como é abordado no livro, por isso que quero ler a obra pra ter uma visão mais ampla sobre os temas abordados.
    Beijos.

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  2. ELIZABETH MACHADO SALLES19 de março de 2015 16:58

    Não posso te dizer que gostei ou não gostei dessa história. Talvez por ser como você mesma disse, uma história seca e direta. Não sei. Sei que, realmente, a vida de uma família não é feita só de flores, mas o autor conseguiu me deixar abalada com sua maneira de descrever os personagens, de como são movidos e como agem. Forte demais.
    Beijos.

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  3. Eu vi o filme e ele foi até superficial não entrando em tais questões mais aprofundadas como sexo, mas foi um bom programa focado mais no lado cômico. Não to muito a fim de encarar o livro, não.

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