Resenha: Belleville - Felipe Colbert

30/03/2015

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Belleville
Felipe Colbert
Ano: 2014 / Páginas: 304
Idioma: português
Editora: Novas Páginas




Se pudesse, Lucius aterrissaria em 1964 para ajudar Anabelle a realizar o grande sonho do seu falecido pai! De quebra, ajudaria a moça a enfrentar alguns problemas muito difíceis, entre eles resistir à violência do seu tio Lino. Claro que conhecer de perto os lindos olhos verdes que ele viu no retrato não seria nenhum sacrifício...


Sem conseguir explicar o que está acontecendo, Lucius inicia uma intensa troca de correspondência com a antiga moradora da casa para onde se mudou. Uma relação que começa com desconfiança, passa pelo carinho e evolui para uma irresistível paixão – e para um pedido de socorro...



Lucius, 20 anos, está prestes a deixar o pai – cultivador de orquídeas- para fazer Matemática em uma Universidade em Campos de Jordão.


Aluga uma casa antiga (construída em um grande terreno) para ser seu lar durante os cinco anos de faculdade.


Nos primeiros dias de aula, o calouro começou a ser importunado pelos colegas, o que trouxe seu afastamento das possíveis amizades.


“A maioria dos alunos andava em dupla, e ninguém falava comigo…”


Uma tarde, depois das aulas, fui explorar o terreno dos fundas da casa.


“A caminhada pelo bosque foi devagar, por causa da quantidade de gravetos e folhas espalhados pelo chão.”


Lucius se surpreende ao encontrar, no galpão, uma moto antiga, uma Vespa dos anos 60 e umas folhas de papel com muitos rabiscos a lápis.


Tirou a poeira acumulada e viu que se tratava de um projeto de montanha russa. Fez pesquisas e descobriu tratar-se de uma montanha russa do séc 19 (Belleville)


Na biblioteca da casa vê uma foto de uma bela jovem com uma caixa na mão, prestes a enterrá-la. Era da antiga moradora da casa.


Muito curioso, vasculha o terreno com a foto na mão e, junto ao pilar principal da construção da montanha-russa(em início de obra) descobre o que procura: desenterra a caixa e, dentro dela uma carta datada de 50 anos atrás. O conteúdo da carta é solicitação da jovem Anabelle para que seja concluída a montanha-russa de madeira(Belleville), último sonho do pai, um fotógrafo morto nos anos 60.


Atordoado com a informação, e imaginando que nada poderia ser feito, ele escreve outra carta explicando suas razões para negar o pedido e solicita providências ao próximo morador. Vai depositar na caixa que ele deixou no local, enterrada.


Ele acha que não fazia sentido o que escrevera; volta lá para retirar a mensagem, mas se assusta, ela não estava mais lá. Achou outra no lugar. O papel era amarelecido, como na primeira, e datada de 50 anos atrás.


“A carta mais recente também era de 1964, como se tivesse sido escrita alguns dias após a minha, porém com um intervalo de cinquenta anos retroativos.”


Tomado por um inexplicável sentimento, Lúcius continua trocando correspondências com Anabelle. Cartas vão e vêm pelo vácuo do tempo.


Trocam objetos que atestam a existência deles . Compartilham o dia a dia.


Lucius, envolvido com a história de Anabelle, decide dar continuidade à obra no terreno. Usa todo o dinheiro destinado aos seus estudos para comprar o material de construção. Trabalha, incansavelmente. A menina acompanha as obras expressando o contentamento através das cartas.


”Anabelle disse que podia ver e tocar Belleville”


A obra está adiantada, mas eis que as cartas pararam de chegar. Lucius se preocupa, pois o tio da garota, que passou a ficar com ela depois da morte do pai, era cruel. Soube que a espancava. Lucius a aconselhou fugir enquanto era tempo.


Uma manhã, Lucius vai ao terreno e a obra se transformara em ruínas. Conclui que se Anabelle podia tocar, qualquer outro também podia.”


“O culpado por esta desgraça devia estar presente cinquenta anos atrás: seu tio.”


Lucius foi até a caixa de correspondências e lá dentro, porém, “jaz minha última correspondência. Tudo estava terminado.”


Escreve para ela dizendo que se encontra sem saída, pois tinha usado o dinheiro da faculdade para construir Belleville e que precisaria contar a verdade ao pai.


Ele acha que em algum momento as cartas parem de atravessar as décadas e não sabe se voltarão a se encontrar nesta ou noutra realidade.


Desiludido, conta sua história ao professor de Física, mas também diz que não tem como provar a viagem no tempo.


Ele está resolvido a voltar para o pai, mas o professor pede que fique para a Festa do Pinhão, que acontece todos os anos em Campos.


Mal sabe Lucius que sua história está longe de acabar.


História curiosa e inquietante em que o amor dobra a lógica do tempo e acontece.


Por Rosana Gutierrez


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3 comentários :

  1. ELIZABETH MACHADO SALLES30 de março de 2015 07:56

    A história parece ser encantadora. Tem cara de ser bem elaborada e estruturada. A trama é bastante envolvente. Gostei de conhecer os personagens, principalmente como eles se comunicam. Esse negócio de correspondências através do tempo, me lembra um filme que vi. Se não me engano era A casa do lago. Foi muito bom por sinal. Espero que este também seja.
    Beijos.

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  2. Não sei, mas qdo comecei ler a resenha lembrei logo do filme "A Casa do Lago", sabe, essa coisa de pessoas de épocas diferentes mantendo contato. A sinopse não dá a dimensão do que a resenha passa. Se eu tivesse lido somente a sinopse não teria me interessado.

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  3. Leticia Ramos de Mello Oliveira31 de março de 2015 20:43

    É bem diferente do filme "A casa no lago" onde há também esse tema de um casal que troca cartas que chegam em anos diferentes.
    Fico com raiva do Tio da Anabelle (sinto vontade de dar uma de Doctor Who e acabar com ele) e até imagino o que vai acontecer na tal Festa do Pinhão: Um belo final feliz!

    Um abraço!

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