Resenha: Quase casados – Jane Costello

29/01/2015

QUASE_CASADOS

Quase Casados
Jane Costello
ISBN: 9788501091963
Ano: 2014 / Páginas: 416
Editora: Record




Para Zoe Moore, o dia de seu casamento foi o mais marcante de sua vida. Ou melhor, o dia em que deveria ter se casado, mas em vez disso, foi largada no altar após sete anos de namoro. Arrasada e disposta a se recuperar, ela decide se mudar de Liverpool para os Estados Unidos e trabalhar como babá. Ao chegar em Boston, ela se depara com a esperta Ruby, prestes a completar 6 anos, o adorável Samuel, que acaba de fazer 3, e o pai deles, Ryan Miller. Seu novo chefe, além de fazer uma bagunça sem precedentes e de ter um mau humor imbatível, é incrivelmente bonito. Depois de um começo um tanto decepcionante, Zoe e Ryan começam a se entender, mas ela está prestes a descobrir que recomeços podem ser mais difíceis do que esperava.



Eu adoro chick-lit. Claro que discordo de alguns estereótipos que grudaram como “samba de uma nota só” em algumas histórias: protagonista perto/na casa dos 30 anos, insatisfeita com a vida, ensandecida, que encontra o homem perfeito, faz um monte de bobagem até tudo dar certo. No meio do caminho, arrebenta os meus nervos.
Obrigada Senhor, que isso não acontece aqui...


- Para curar a dor de ser abandonada, da decepção e da vergonha, Zoe fez as malas e colocou um oceano entre ela e a família, o emprego e os amigos em Liverpool. Só que, quando a maré não está boa, tudo parece mais difícil. Ao invés de ir para a casa de uma família que estava prestes a fazer uma viagem para o Caribe, foi parar em Boston, em uma casa onde tudo estava errado. Pai ausente e nada interessado em outra coisa que não fosse trabalhar, crianças fofas, mas sem disciplina e órfãs de mãe. Zoe começa a tentar colocar ordem, mas esbarra nos problemas do cotidiano e, numa hora dessas, nada dos poderes de Mary Poppins e Nanny McPhee para salvá-la.


- Heroína chateada, questionando a vida perfeita e em busca de novo sentido para ela. Está achando que “desapaixonar” é fácil? Nada disso. Mesmo quando o novo patrão é tão lindo quanto canalha. Ryan é maravilhoso de lindo, mas não está atravessando a melhor fase da vida e todo mundo percebe isso. E para cada coisa que faz a gente “ooooh!!!” tem outra que te tira do sério.


- Mas à medida que a autora vai colocando as cartas na mesa sobre os personagens, muitas vezes com o apoio dos coadjuvantes, sejam as crianças, as cartas da mãe superprotetora de Zoe ou o grupo de babás inglesas da rua que se une para trocar confidências, problemas e apoio mútuo longe de casa, a história fica interessante. E também pela forma que a autora escolheu para contar como foi a desilusão de Zoe. Não há um prólogo sobre o casamento que não houve. A narrativa dela sobre o que aconteceu é espalhada nas partes finais de cada capítulo, como um contraponto da vida que ela tinha e pensou que teria em Liverpool com o que está vivendo nos Estados Unidos. Para quem, como eu, estava escaldada com os livros “made in Bridget Jones” (cujos defeitos me irritaram mais que as virtudes, de uma forma geral, quando analiso com meus olhos de adulta) encontrar um que não siga a mesma toada é muito bom. Tanto que eu tinha a famosa intenção de ler algumas páginas antes de dormir e adivinhe? Pois é, embalei e fui até o final.


- E para quem, como eu, gosta de Liverpool por ser a terra dos Beatles e do time de futebol do Liverpool tem referências ótimas... Desde uma comparação com a esposa do Gerrard até a menção ao Xabi Alonso que me fez dar gargalhadas aqui, porque confesso que, definitivamente, não esperava por isso. Gostei, do que li, gostei de ser surpreendida e gostei da trajetória de Zoe - confusa, atrapalhada, intensa e imprevisível - depois que tudo passou a dar errado. Aliás, é o primeiro livro que leio da autora e deixou boa impressão. Que venham os próximos!


Por Beta Oliveira


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4 comentários :

  1. Olá,
    Não li nada da autora e desde que bati os olhos nessa capa quis ler, mesmo sem ter conferido a sinopse.
    Um chicklit na Inglaterra?! maravilha, até para imaginar os sotaques, mas por ter vontade de conhecer o país do que qq relação com os Beatles...
    Que tarefa nada fácil lidar com crianças livres, são quase como cavalos ariscos. E esse pai desnaturado que não tenta interagir?! Já perdeu pontos comigo. Mas já torço de antemão que a mocinha consiga colocar juízo nele para dar atenção à família.
    Curiosa com esta leitura.

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  2. Que coisa horrível pra se acontecer! Mas é dito o pq de o safado tê-la deixado no altar?
    A sinopse é legal, quero ler, mas não é prioridade.

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  3. Tão bom quando a gente lê um livro que difere dos milhares de outros né, compensa mais ainda a leitura. Fiquei com dó dela, ser largada assim no altar mas foi bom que a vida dela mudou :D

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  4. Leticia Ramos de Mello Oliveira31 de janeiro de 2015 12:01

    Quando leio resenhas desse livro, me lembro logo da série The Nanny, em que a Fran Drescher passa por uma situação parecida, mesmo que ela não tenha sido abandonada no altar. Mas apesar da mecânica diferente dos outros chick-lits, já li resenhas falando que a leitura era lenta e que a protagonista Zoe também cometia algumas bobagens típicas do gênero e que o final não foi bom.
    Mas nem sempre o que funciona para um, funciona para outro, e é isso que devemos aprender.

    Um abraço!

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