Resenha: Lua Vermelha - Benjamin Percy

16/09/2014


Olá!

A resenha de hoje é de Lua vermelha, de Benjamin Percy.

Um livro sobre “lobisomens”, sim. Mas nada a ver com o sobrenatural que vemos por aí.


Lua vermelha é bem interessante. Parte de uma premissa bem envolvente. Os humanos vivem junto aos licanos que são monitorados e usam uma droga que suprime a mudança. O contágio é através de um vírus transmitido, semelhante ao HIV, ou seja, com transfusão de sangue, relações sexuais sem proteção etc, e não necessariamente pela mordida do licano.


Mas o interessante no livro é o paralelo que o autor faz com a política e acontecimentos da história norte-americana. Mostra como o ser humano trata o que é diferente, o preconceito em relação aos licanos, os conflitos, a guerra.


Como na vida real, sempre há um interesse “comercial” e de exploração. Eles vivem sob minas de urânio, razão pela qual há a presença militar


Os licanos têm vivido no mundo ao longo dos séculos. Eles tomam a droga para não se transformarem, passam por testes de sangue obrigatórios, os políticos querem os nomes e informações pessoais colocadas em um banco de dados , vivem em seus próprios bairros e têm oportunidades de emprego limitadas.


Um grupo de licanos, não gosta muito dessa “opressão socialmente aceita”, e chamados de Resistência, resolvem se libertar desse jugo dos humanos , mas utilizando qualquer meio necessário.


E assim, cometem atentados terroristas, em aviões, onde licanos atacam e dizimam os passageiros de três aviões. E repercutem através da narrativa.


Em um dos aviões, por azar, está Patrick, pois seu pai foi servir o país e ele está indo morar com a mãe e acaba sendo o único sobrevivente dessa matança.


Enquanto isso, a família de Clare, que é licana, é capturada de dentro de sua casa, e ela, uma adolescente que há pouco tinha somente preocupações mundanas, como que faculdade escolher e redes sociais, agora está só, fugindo e tentando entender o que a mensagem de seu pai quer dizer. Ela não entende o que a pacata família poderia ter algo a ver com os atentados, nem nós leitores.


E ainda temos Chase, um político carismático, que faz o que quer, não é casado,bebe, se envolve com prostitutas, mas não esconde o que faz. Logo que acontece os atentados, seu assessor, o coloca na midia, e ele passa a discursar , com um preconceito escorrendo pelas palavras e prometendo acabar com toda essa confusão.


"- Eu acho que está na hora de encurtar a guia, enrolar um jornal e dizer para o cachorro: não pode."


Há várias questões políticas e sociais aqui, e notamos semelhança com eventos passados e atuais da história.


O autor constrói bem as personagens e é bem detalhista em relação as ações e locais. Ele faz um trabalho muito bom retratando os licanos ativistas e o governo, de forma balanceada, igualmente negativos. Há bem umas “alfinetadas”. A mensagem certamente soa familiar e historicamente relevante.


E no meio dessa história toda de infectados ou não, está a história de homens e mulheres marcados pela crueldade e joguinhos de poder,  lutando para sobreviver e como suas vidas são influenciadas pelas escolhas e luta entre os licanos da Resistência e os EUA. Dois adolescentes, Clare , a licana, Patrick, filho do soldado, e Chase,  um político galgando seu caminho para presidência, usando os licanos.


Uma leitura que prende. Muito parecido com o retrato da nossa sociedade. Capa, diagramação, todo o projeto gráfico, agradáveis à leitura.


Leia um trecho – Aqui


Sinopse

Eles vivem entre nós.
São os seus vizinhos, a sua mãe, o seu namorado.
Eles mudam do dia para a noite.

Como toda adolescente, Claire Forrester se acha meio deslocada. Quando agentes do governo invadem sua casa e matam seus pais, ela percebe o quanto é diferente. Claire pode se transformar em uma criatura semelhante a um lobo. Ela é uma licana.

 

Patrick Gamble entra em um avião e, horas depois, desembarca como o único sobrevivente de um ataque terrorista promovido pelos licanos. Da noite para o dia, ele vira um herói nacional: o Menino-Milagre.

 

O governador Chase Williams jura que, se for eleito presidente, protegerá o país da ameaça que aterroriza a população. Em meio ao acirramento dos conflitos entre humanos e licanos, seu discurso intensifica a discriminação. No entanto, ele vai se tornar exatamente aquilo que prometeu destruir.

 

Cada um a seu modo, os três estão envolvidos em uma guerra que tem sido controlada com leis, violência e drogas. Mas uma rebelião está prestes a estourar, provocando mortes e destruição e entrelaçando seus destinos para sempre.

 

Com a chegada da noite da lua vermelha, o mundo se tornará irreconhecível. A batalha pela sobrevivência da humanidade irá começar.


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3 comentários :

  1. Essa é a primeira resenha que leio sobre o livro e posso dizer que gostei bastante. Apesar de algumas situações clichês, como o garoto ser o único sobrevivente de um ataque, o mundo licano me agrada imensamente.

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  2. Depois de muito tempo eis que volto à vida, dessa vez formada na faculdade e com tempo de voltar a acompanhar esse blog. Tava com saudades, acredita?
    Fez falta essas recomendações!
    Fiquei intrigada com esse livro. Ele meio que me fez lembrar a segregação com os negros, principalmente nos Estados Unidos.
    Lá vai eu, aumentar minha lista de desejos, por culpa sua... xD
    Adorei a resenha!!
    Beijinhos

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  3. Depois que assisti a House of Cards, a política é vista com outros olhos por mim.
    Com muitas diferenças, os norte americanos tem uma maneira toda especial de lidar com essa questão e eu admiro isso.

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Obrigada por comentar!
Feliz dia!!!

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