Resenha: Rafa: Minha História – Rafael Nadal e John Carlin

07/08/2014

Minha História
Rafael Nadal ...
Ano: 2011 / Páginas: 256
Idioma: português 
Editora: Sextante
Você nunca verá uma partida de tênis sendo narrada com tanta emoção e tantos detalhes: a adrenalina, o controle da mente, a preparação física, os últimos minutos antes da final de Wimbledon em 2008, considerada por John McEnroe “a melhor de todos os tempos”. Assim Rafael Nadal abre este empolgante livro de memórias. Em Rafa, o leitor é transportado da casa em que o tenista nasceu, na ilha de Maiorca, na Espanha, para as quadras onde são disputados os mais importantes torneios de tênis do mundo. Intenso e revelador, ele oferece um vislumbre de tudo o que está por trás da carreira de um dos ícones do esporte atual.Você vai conhecer os medos, obsessões, manias e fraquezas do menino que foi treinado desde pequeno pelo tio severo e vai saber como o objetivo de se tornar campeão transformou esse jovem em um exemplo de disciplina e perseverança.
Ciao!!

- Não tenho a menor intenção de me ater aos detalhes técnicos que ele conta. Pelo simples motivo que eu não entendo nada muito além do básico, então nem me atrevo a piar sobre nome de jogada, jeito de bater na bola e outros muitos detalhes que ele dá. Vou ficar em outros pontos que me chamaram a atenção:

1) a dúvida existencial de boa parte do livro foi: “qual é o problema com a esquerda do Federer?” O Nadal menciona em uma parte (se não foi no prólogo, foi no primeiro capítulo) que o plano era sacar todas as bolas na esquerda do Federer – não podia ser nem uma a menos. Teriam que ser todas. E como há outras menções, fiquei encafifada e tive que tirar a dúvida com um amigo que joga tênis. A resposta dele foi: “nada, a esquerda dele não tem problema” e quando viu minha cara de “não entendi”, completou: “é que a direita dele é mortal”. Ah,tá, obrigada, agora entendi: ache um possível ponto fraco e insista nele. Em determinado momento, Rafa relata que tanto ele quanto o Tio Toni sabem onde outros rivais são melhores (Federer beira a perfeição e o tio-treinador avisou que Djokovic também era melhor que ele) e que, desta forma, precisa estar sempre no seu melhor - e resistir, resistir, resistir - para conseguir derrotá-los. 

2) Não sirvo para ser tenista. Não aguentaria nem 1/3 do que eles passam numa partida. Isso já era óbvio apenas assistindo aos jogos. Depois de ler o relato do Rafa Nadal, aí é que eu tive certeza. Jogo em 5 sets sem previsão de acabar? Ok, eu joguei vôlei e fiz partidas em cinco sets. No entanto, tinha uma equipe dividindo o peso. O tênis só tem você, Deus e a raquete. E uma pressão do tamanho do universo dentro da sua mente. Aham, ah, tá! Juntaria o restante de forças, sairia correndo pra nunca mais alguém me achar.

3) Tenho medo do Tio Toni. Sério. Já havia lido uma entrevista onde era dito que, se o livro tinha um “vilão” era o tio (que é o treinador do Rafa desde pequeno). Gente, Tio Toni é mau. Muito mau. Com um filho meu ele nunca faria o que fez. Óbvio que eu não teria um filho campeão tenista. Entendi a finalidade, mas não sou muito fã dos meios que ele empregou. Mas nada impede de usar isso como método pedagógico com meu/minha filho(a): “ó, se você não se comportar, vou chamar o Tio Toni!

4) As coincidências mais absurdas (que me fizeram rir) entre Beta (tiete) e Rafa (tenista campeão): amamos azeitonas (ele diz que é completamente viciado e que, quando pode, sai da concentração pra comprar azeitonas e eu sou capaz de dar fim a um pote em dia animado. Sem contar que elas ajudam a manter a minha pressão baixa no lugar), enfrentamos separação dos pais (isso me surpreendeu, não sabia que os pais dele tinham se separado. E não importa quando aconteça – no meu caso, eu era criança; no caso dele, já adulto – sempre leva um tempo até tudo voltar a parecer ter um rumo), há sempre um setor da vida que é caótico (ele diz que, como tenista, é muito organizado. Ponto final. O quarto dele é um caos de dar medo. Não sei se ele acredita, mas posso atribuir ao signo dele *e meu ascendente* – Gêmeos -  sempre disposto a bagunçar o coreto e se distrair com qualquer coisa que pareça interessante. Meu armário tem temporadas de profundo desespero materno para entender o que se instalou ali dentro) e somos insanos por futebol (quando li a parte onde ele fala que, não importa onde esteja, dá um jeito de assistir ao jogo do Real Madrid, fiquei emocionada em ver que não sou a única anormal onde a programação futebolística interfere na minha rotina, tudo para não perder um jogo.)

5) Pode não ser verdade, afinal de contas, não o conheço pessoalmente (e é ele quem está narrando a história, né?), mas tudo indica que ele só chegou onde chegou porque:

a) Tio Toni é mau como o pica-pau, mas sabia o que estava fazendo
b) ele é determinado o suficiente para entender quais são os próprios pontos fortes e tentar minimizar os fracos, para sobreviver na elite
c) se cercou de pessoas que fazem a carreira dele ir para frente (muitas vezes, vemos o contrário no futebol, gente que só afunda – ou ajuda a afundar - o talento alheio),
d) embora esteja sozinho na quadra, sabe que todos que o amam independente do resultado (bem, neste caso, haja talvez um asteirsco pequenino no nome do Tio Toni, que o critica nas derrotas, nas vitórias bla bla bla) estão por perto,
e) a estratégia da família de nunca se deslumbrar com o que ele ganhe, seja lá o que for (ideia do Tio Toni) tem o efeito de mantê-lo com os pés no chão e a cabeça no lugar
e f) pouco importa o quanto longe ele vá, no fim, sempre tem um período de descanso em Mallorca (desculpe, me recuso a escrever com “i” no lugar do "ll". Acho o original mais bonito).

6) Muitas vezes, o povo só vê a fachada: bonitão, jovem, gostosão e campeão e acha que a fama e a vitória caem do céu. O livro tem vários exemplos de como é difícil alcançar o patamar que ele alcançou e o que exige permanecer ali. Por isso disse antes: nunca seria tenista profissional. Não tenho paciência nem estrutura mental para aguentar. Ele não é santo, mas sabe o que faz e o que é necessário para ficar entre os melhores e ser o melhor deles. Não espere revelações bombásticas – a criança dócil foi bem adestrada para ser um jogador agressivo, porém educado e quase um escoteiro mirim de tão bonzinho. E isso não é defeito. Em um mundo como o atual, onde qualquer coisa ganha celebridade (e muitas por motivos do tipo “quê???”), é legal ver a história de uma pessoa normal que preza valores como trabalho e família, para variar. 

7) Confesso que a narração sobre a vitória dele em Wimbledon (detalhes sobre o jogo aqui e um vídeo aqui) foi muito legal. Ocupa a maior parte do livro. Por um motivo simples: era o torneio que ele sempre quis ganhar. E justamente parecia que ele nunca teria chances: não era o melhor piso para o estilo que ele joga. De tanto querer, se tornou um trauma, porque ele chegou à decisão em 2007, contra o Federer e perdeu. E ele sentiu muito essa derrota – tanto que é uma das primeiras coisas que ele relata no livro e menciona várias outras vezes. Quando teve a chance em 2008, não queria um replay. E é esse jogo que ele narra detalhes, entremeando com informações sobre quando começou a jogar, porque optou pelo tênis ao invés do futebol, o apoio da família, os métodos do Tio Toni, as derrotas que doeram, as vitórias que o marcaram... Ele também relata as vitórias nos outros Grand Slams (eu vi alguns dos jogos que ele cita. E me lembro muito do jogo do Aberto da Austrália, vencido pelo Rafa e onde o Federer simplesmente desmontou na cerimônia de premiação) e como foi participar de uma Olimpíada (minha frustração: a jogadora de vôlei que há em mim queria MUITO ir a uma...). 

- Ou seja, pra quem gosta muito, para quem gosta, para quem é curioso, o livro é muito bom. A leitura flui, não é chata (e olha que tem muito detalhe técnico). Neste ponto, sou suspeita para falar porque gosto do Rafa Nadal, já li outros livros do John Carlin (Invictus e Os Anjos Brancos), então estou acostumada com o jeito que ele narra as histórias (*pausa para um comentário: qual é, hein, John Carlin, precisa ir sempre onde eu gostaria de estar??? Fim do momento inveja*). Provavelmente, assim que as coisas na minha vida ganharem um ritmo menos corrida de 100 metros rasos, lerei de novo.

- Indicação de links: quando o livro saiu, teve matéria no diário esportivo espanhol Marca e até no blog específico do GloboEsporte (de onde tirei a foto da capa do livro em Espanhol. A versão brasileira seguiu a versão inglesa, inclusive com a manutenção do "Minha história"), onde há um comentário que resolveu outra curiosidade minha, se o Nadal é canhoto (para quem não tiver paciência de ler: ele é destro, mas jogando é canhoto). O primeiro capítulo está disponível no site da editora. E também há informações no site do John Carlin, já neste sitetem um booktrailer e no texto do The Guardian sobre o livro, achei algo que me deixou curiosa, enquanto jornalista e leitora: de que forma ele foi feito...

Rafa: My Story is an unconventional memoir in that it is written in a language – English – he speaks poorly, as anyone who has seen him interviewed knows. Presumably, the ghost writer, Invictus author John Carlin, talked to him in Spanish before subjecting his words to a simultaneous process of translation and buffing up. The strategy isn't a bad one, because the finished product reads pretty fluently. The ghost's invisibility is compromised in another way too: alternating with Nadal's first-person account, which is structured round his five-set Wimbledon final against Roger Federer in 2008, are short third-person essays about aspects of Nadal's background or character. While these were no doubt prompted by the fear that Nadal's unadorned narrative would be too skimpy, the end result is oddly effective, like a literary portrait in the round.

- Agora os links de tietagem: parada obrigatória - Blog Rafael Nadal Obsession. Momento “futilidade, a gente vê por aqui”: há uns 2 meses, esse “separados no nascimento” virou hit na internet. E quatro vídeos: o primeiro, bem... tudo que posso dizer é que ele estava comemorando o título da Copa Davis.  Sobre o segundo,  o que posso dizer é que se eu estivesse lá, teria pulado a mesa e ajudado o próximo... XD E se o terceiro é só pra causar inveja mesmo, o quarto é pra... bem... você decide!

Bacci!!!

ps.: Se não entendeu o motivo de ter "Rhage's Lollipops", aconselho a ler aqui, envolve uma disputa particular entre a guitarrista quebra-tudo e a tecladista da banda virtual mais famosa de todos os tempos kkk

ps.: Está na pilha de livros para ler a biografia do Roger Federer, então não se assustem quando ela aparecer aqui. E a Germana me indicou a biografia do Andre Agassi, que foi para a lista de compras. Esse, ainda não tenho.

Beta Oliveira

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